Brasília ? O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse hoje (28) que pretende iniciar a tomada de depoimentos na próxima semana. Ele espera marcar audiência com o procurador de Mato Grosso Mário Lúcio Avelar e com delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito, Tardelli Boaventura.

O convite a Avelar e Tardelli foi aprovado hoje pelos parlamentares. A CPMI investiga a compra fraudulenta de ambulâncias por meio de emendas ao Orçamento. A comissão aprovou também a transferência de sigilo de documentos que estão na Corregedoria da Câmara, que chegou a abrir investigação sobre o esquema, mas foi encerrada para aguardar investigações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República. O relator do processo na corregedoria, deputado Robson Tuma (PFL-SP), se dispôs a apresentar na semana que vem cruzamento de informações que foi feito durante as investigações.

Biscaia descartou qualquer tipo de corporativismo durante as investigações. "Não há condições de nenhum tipo de corporativismo, acobertamento qualquer que seja", afirmou. Segundo ele, em 60 dias, a CPI vai apresentar o relatório final.

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), integrante da CPMI, levou à comissão informações sobre as investigações da máfia das ambulâncias em Mato Grosso. Para ele, em dez dias, será possível fazer um cruzamento com o nome dos parlamentares envolvidos.

De acordo com Gabeira, há quatro linhas de implicação. A primeira é a apresentação de emendas, a segunda é o relatório da Controladoria-Geral da União sobre o superfaturamento das emendas, depois a degravação da Policia Federal sobre o caso e a quarta é a folha de pagamento da empresa Planam. "Se você usar esses anéis de uma forma adequada, muitos ficarão presos dentro dele", afirmou.

Ele disse ainda que assim que a "questão ficar explicitada" na CPMI, a comissão poderá fazer uma sugestão à Mesa da Câmara pedindo que os envolvidos no processo se afastem do caso por 30 dias.