O presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a pressionar o Brasil ao dizer que a Copa do Mundo de 2014 só será realizada no País se o rigoroso caderno de encargos da entidade for cumprido, e disse que a América do Norte pode ser uma alternativa se nem brasileiros nem nenhuma outra nação sul-americana se comprometer a realizar o Mundial com a mesma qualidade apresentada este ano na Alemanha.

"Dissemos que a Copa de 2014 será na América do Sul e até agora só o Brasil se apresentou, mas se nenhuma candidatura for suficientemente firme, o Norte é uma opção lógica", avisou Blatter, que esteve no Brasil em setembro para conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a organização do evento. Lula já disse que o Brasil terá de construir a maioria dos 12 estádios necessários para a Copa.

Até agora, as outras nove federações sul-americanas anunciaram apoio à candidatura brasileira – a Colômbia já manifestou o interesse de receber o Mundial, mas não levou a proposta adiante. Blatter, que abriu hoje o processo de inscrições para sede, teme que a ausência de rivais possa fazer o Brasil caminhar de "salto alto", por isso a ameaça feita em entrevista coletiva após a reunião do Comitê Executivo.

"O Brasil deverá passar pelas mesmas análises que as candidaturas anteriores. O nível de exigência cresceu muito depois da última Copa, e se a América do Sul não cumprir os requisitos, devemos deixar a América do Sul para trás", disparou o dirigente. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, esteve em Zurique para a reunião do Comitê.

Cartola inocentado

O Comitê Executivo decidiu não tomar medidas disciplinares contra o presidente da Concacaf, Jack Warner, acusado de revender ingressos no mercado negro, a valores inflacionados, para jogos da Copa do Mundo da Alemanha, por meio de uma agência de viagens de Trinidad e Tobago que pertence a sua família e é conduzida por seu filho, Daryan.

Warner teria arrecadado cerca de US$ 993 mil. O caso foi verificado em auditoria independente, mas o Comitê Disciplinar da Fifa disse que não havia como provar a culpa do dirigente no caso. "O senhor Warner deveria ter sido mais cauteloso e prudente. Isso é tudo o que diremos sobre este caso, que consideramos encerrado", disse Blatter.