Joe Klamar/AFP

Criticada pelos jogadores, a bola da Copa do Mundo, Jabulani, se tornou objeto de estudo por parte dos cientistas que tentam entender sua trajetória “imprevisível” talvez ligada a um excesso de perfeição, já que é “redonda demais”.

Citados por vários sites especializados, os cientistas japoneses Kazuya Seo, da Universidade de Yamagata, e Takeshi Asai, da Universidade de Tsukuba, fizeram alguns testes para constatar o inconveniente que enlouquece os jogadores.

Os especialistas concluíram que, apesar de seu sistema “grip’n’groove”, superfície rugosa para facilitar a defesa dos goleiros, a Jabulani tem características aerodinâmicas parecidas com uma esfera perfeita. Pode ser chutada com mais velocidade, mas ganha uma velocidade bem menor.

Quem pensa da mesma forma é Eric Berton, diretor adjunto do Instituto de Ciências do Movimento, uma unidade de pesquisa do CNRS em Marselha, especializada em ciências do esporte.

“As costuras da Jabulani são internas, a bola parece então uma esfera perfeita”, afirma.

Isto é uma evolução inversa em relação a outros esportes. No tênis e no beisebol, há irregularidades na bola, exatamente para que possa ter uma trajetória mais estável e mais controlável.

O ‘spin’ no tênis ou no beisebol é uma jogada que permite dar efeito à bola.

“Por causa do formato da Jabulani, o tempo de contato com o pé é menor. Em consequência, ela praticamente não gira mais. A bola terá uma trajetória mais flutuante e imprevisível, tanto para o batedor como para o goleiro”, explica Eric Berton.

Os exames computadorizados do professor Derek Leinweber, da Universidade de Adelaide, na Austrália, vão no mesmo sentido: “Esta bola vai mais rápido e suas trajetórias são menos previsíveis do que aquelas anteriores”.

A Adidas reivindica o formato esférico perfeito da bola.

Segundo Andy Harland, engenheiro especializado britânico que participou da elaboração da bola, a “Jabulani não tem as imperfeições das anteriores fabricadas à mão. Oferece uma precisão inédita aos atacantes”.

O especialista saiu em defesa de seu “bebê” na imprensa britânica, explicando que esta bola é conhecida por “reagir de maneira uniforme com o objetivo de deixar em evidência as qualidades técnicas dos jogadores”.

Eric Berton explica que a pressão do ar, mais fraca na altitude, como ocorre na África do Sul em alguns locais, tem consequências nas finalizações, mas são “menores” graças ao formato da bola.

O cientista considera que os jogadores poderão se adaptar a estas mudanças. “Se a tecnologia das bolas perfeitamente redondas perdurar, os goleiros aprenderão a prever as trajetórias e os artilheiros controlarão melhor seus chutes”, concluiu.