O ministro de Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia, Andrés Soliz Rada, afirmou em comunicado que as negociações com o Brasil serão retomadas no próximo dia 15 de setembro. Os dois países discutem o processo de nacionalização das reservas de petróleo e gás daquele país. Segundo o governo boliviano, a nova data foi acertada com o ministro das Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau.

Entre os temas a serem acertados, diz o texto, estão a transferência das refinarias da Petrobras à estatal local YPFB, incluindo as formas de compensação, e os contratos que serão assinados de acordo com o decreto de nacionalização de 1º de maio. "Ambos os ministros de Estado concordam com a necessidade de retomar um diálogo positivo que beneficie aos dois países", diz a nota.

O tema foi levantado durante a visita do vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, ao Brasil no final de agosto. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que participou da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros brasileiros com Linera, pediu a retomada das discussões entre a estatal brasileira e a boliviana YPFB. Em maio deste ano, representantes do governo dos dois países reunidos em La Paz resolveram iniciar um processo de negociação e assinaram um termo de compromisso neste sentido.

Na ocasião, foi prevista a criação de três grupos de trabalho com a finalidade de discutir as condições de negócios no período de transição no processo de nacionalização das reservas de petróleo e gás, a indenização que cabe à estatal brasileira e as condições para assinatura dos contratos de produção. O reajuste no preço do gás natural solicitado pela Bolívia não está em discussão em nenhum destes grupos. As conversas sobre este assunto começaram em 29 de junho com base no contrato de compra e venda firmado entre as duas empresas.