O diretor-gerente do fundo de investimentos Pimco, Mohamed El-Erian, em artigo publicado hoje no "Financial Times", afirma que a decisão do Brasil de pagar antecipadamente sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Clube de Paris demonstra a melhora da situação do País. Além disso, segundo ele, a iniciativa brasileira sinaliza a maior confiança que os países emergentes estão demonstrando em sua atuação na economia mundial. O analista observa que isso representa um desafio para os protagonistas mais tradicionais da economia internacional, como o G-7 e o FMI, que precisam se adaptar à nova estrutura do sistema global.

Segundo El-Erian, a decisão do Brasil de quitar suas dívidas com o Fundo e o Clube de Paris reflete a rápida melhora da posição de suas reservas internacionais, gerada por um amplo superávit comercial, crescente fluxo de investimento direto estrangeiro e fluxos de portólios elevados. "É também resultado do gerenciamento financeiro prudente que, consistente com a crescente riqueza do País, enfatiza agora técnicas de gerenciamento dos ativos e dívidas mais sofisticadas", disse.

Para o diretor do Pimco o Brasil tem demonstrando uma crescente autoconfiança "O gerenciamento macroeconômico sólido, ancorado num regime fiscal sólido e numa política monetária eficiente, está cada vez mais solidificado na estrutura política e social", disse. "A necessidade de apoio financeiro externo é aliviada pela crescente capacidade do País de se auto-segurar através do controle de amplas reservas e um estoque da dívida declinante e menos volátil."

El-Erian observa que esse fenômeno não está limitado ao Brasil, ocorre em vários outros países emergentes e deve se espalhar ainda mais. "Por causa disso, vários países deverão provavelmente se juntar ao Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) tendo maior influência na economia global e fluxos financeiros" disse. "Isso vale particularmente para os exportadores de petróleo e, numa extensão menor, para a Argentina, que também está quitando sua dívida com o FMI."

A crescente autoconfiança entre os emergentes, argumenta, gera desafios interessantes para a ordem econômica mundial tradicional, principalmente no caso do FMI, que terá que repensar a maneira como interage com esses países.