Brasil, Argentina, Egito e Índia pediram no sábado (16) a suspensão da reforma política do Fundo Monetário Internacional (FMI), enquanto se procura uma fórmula "simples e transparente" para a representação dos países membros. Essa fórmula, segundo os quatro, deve refletir a condição econômica de cada sócio e proteger a posição dos países pobres.

A reforma será feita por meio de uma redistribuição de cotas e votos. A idéia original é dar às economias emergentes uma representação correspondente ao peso que hoje têm na economia global. Ao mesmo tempo, será preciso dar mais voz aos países de baixa renda.

Os quatro países se opõem à proposta apresentada pelo diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, e aprovada no começo do mês pela Diretoria Executiva da instituição. A resolução será submetida à assembléia ministerial e há votos suficientes para sacramentá-la, segundo a ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, e seu colega brasileiro, Guido Mantega.

A pretensão do grupo é que a reforma seja interrompida antes da votação, prevista para a segunda-feira, disse Mantega. "É importante que não se concretize um processo que tem a oposição de vários países", afirmou.

Se prevalecerem as linhas dessa proposta, algumas economias em desenvolvimento ganharão poder de voto à custa de outras, segundo os críticos. "Esta posição é claramente inaceitável, porque corrói ainda mais a credibilidade e a legitimidade do FMI", afirmaram em nota conjunta os ministros brasileiro, argentino, egípcio e indiano.

Eles apóiam, segundo o comunicado, o aumento dos votos de China, Coréia, México e Turquia na primeira fase da reforma, para correção de um desequilíbrio bem conhecido. Essa correção é baseada nos critérios em vigor. O grupo se opõe somente à segunda fase da mudança, quando os novos critérios deverão vigorar.

À tarde, o Grupo dos 24 (G-24), que congrega as economias em desenvolvimento, propôs que o Produto Interno Bruto (PIB) considerado na fórmula seja calculado pela paridade do poder de compra (PPP). Isso refletiria melhor, segundo os defensores da idéia, o peso real de cada economia.

Pelo câmbio corrente, o PIB do Brasil ficou em US$ 794,1 bilhões no ano passado, segundo o Banco Mundial. Calculado com base no PPP, ficaria perto de US$ 2 trilhões. Esse critério elimina o efeito das oscilações do câmbio e permite, segundo seus defensores, uma avaliação mais correta da produção de um país. Um prato de comida pode ser muito mais barato no Brasil do que nos Estados Unidos, mas é o mesmo prato de comida nos dois países. O cálculo tradicional do PIB distorce essa comparação.

O G-24 propôs também que seja incluído na fórmula o grau de vulnerabilidade às flutuações de preços de produtos básicos, às mudanças dos fluxos de capitais e a outros choques externos. A representação de cada país seria determinada por dois fatores complementares. O PIB expresso pela PPP indicaria o peso relativo de cada país na economia global. A vulnerabilidade corresponderia à necessidade que os países têm do auxílio do fundo, em situações de risco.

Se a resolução for aprovada politicamente, poderão ser necessários mais dois anos de trabalho antes de ser possível a adoção da nova fórmula. As mudanças no Fundo Monetário Internacional são às vezes muito lentas e a reforma da representação é apenas parte de um processo mais amplo de adaptação aos novos tempos.