O governo federal investe cerca de R$ 400 milhões por ano no Programa Nacional de Transplantes e o Brasil é o país que mais realiza transplantes no setor de saúde pública no mundo. As informações são do coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Roberto Schilindwein. Ele explicou que "isso também se deve à estrutura do sistema, que abrange 22 estados, contando com 540 estabelecimentos credenciados e 1.338 equipes médicas autorizadas para a realização do procedimento".

Segundo o coordenador, o número de pessoas na lista de espera pode ser um indicativo do acesso dos usuários à rede de saúde pública. Dados da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote) apontam que cerca de 63 mil pessoas aguardam um órgão compatível no Brasil (Rins: 29.389, Córneas: 25.483, Fígado: 6887, Pâncreas/Rim: 278, Coração: 302, Pâncreas: 166 e Pulmão: 110).

Roberto Schilindwein anunciou que o Ministério da Saúde prepara uma portaria que profissionaliza a função de coordenador da comissão intra-hospitalar de captação de órgãos e obriga os hospitais com mais de 80 leitos a criar a comissão de captação de órgãos. "O coordenador tem o papel de organizar o processo, alertar o pessoal das UTIs e das emergências e deve capacitar funcionários, explicando a necessidade da notificação do óbito e da abordagem familiar", assinala.

A coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, Denise Oliveira, disse que no Rio Grande do Sul, dos 80 hospitais com UTI, 50 estão autorizados a realizar captação de órgãos. "No Estado ocorrem, em média, 68 mil óbitos por mês, sendo 600 notificados. Desses, somente 300 doações são efetivadas", afirmou.

Hoje tem início em São Paulo a Semana Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, que acontece até o dia 30 de setembro. Hoje também é lançada a campanha publicitária nacional que institui o prêmio anual "Destaque na Promoção da Doação de Órgãos e Tecidos no Brasil".