O Brasil será o primeiro país da América Latina a formar em nível superior professores bilíngües na linguagem de sinais. O autorização para o curso de graduação foi dada, nesta segunda-feira, no Rio, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, ao Instituto Nacional de Surdos (Ines).

A partir de setembro, o curso irá capacitar professores para o ensino básico de deficientes auditivos na Língua Brasileira de Sinais e terá quatro anos de duração. O processo de seleção já está aberto e o Instituto recebeu autorização para outros quatro cursos, entre eles o de Ciência da Computação para o período 2006/2007.

"É muito importante e, no mesmo dia, estamos anunciando a universalização do livro didático em braile para todos os alunos informados ao MEC que estejam matriculados em escolas da rede pública ou instituição sem fins lucrativos conveniadas com o ministério", informou Haddad.

Quarente mil livros didáticos em braile serão distribuídos para alunos do ensino fundamental matriculados em escolas públicas especiais ou sem fins lucrativos. Com a medida, o MEC antecipou a obrigatoriedade da apresentação em 2007 das matrizes em braile pelos fornecedores de livro.

Para Marcos Antônio Viana, integrante do núcleo do Programa Rompendo Barreiras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Instituto Benjamin Constant, a produção de livros em braile "é importantíssima porque poucas edições são colocadas em braile. Existe um baixo quantitativo de livros literários que nós, deficientes visuais, não temos acesso e também livros de Matemática, Ciências, Biologia. Isso é altamente benéfico".

Dados do censo escolar de 2004 apontam que 566.753 mil alunos matriculados na educação básica são portadores de necessidades educacionais especiais, sendo 27.387 surdos, 34.938 portadores de deficiência auditiva, 7.603 cegos e 37.248 portadores de baixa visão.