União, estados e municípios desembolsaram este ano R$ 105,6 bilhões em juros da dívida pública ? um aumento de 26,1% em comparação com o ano passado no período de janeiro a agosto. Esse resultado consta do relatório de política fiscal divulgado hoje pelo Banco Central.

Com isso, o pagamento de juros ficou maior que o superávit primário, ou seja, os recursos que o governo reserva justamente para garantir o pagamento da dívida. O superávit é obtido por meio de corte de despesas, e ficou, até agosto, R$ 26,7 bilhões abaixo dos gastos com juros.

Esse valor refere-se à contabilidade dos três níveis de governo mais as empresas estatais durante os oito primeiros meses do ano. Considerando apenas o mês de agosto, o superávit foi de R$ 10,186 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que os gastos públicos tendem a crescer na segunda metade do ano, quando há concentração de dissídios coletivos e desembolso do 13º salário.

Lopes afirmou que o governo não terá dificuldade para chegar à meta anual estipulada para o superávit, que é de R$ 83,850 bilhões, ou 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de toda a riqueza do país).

Faltam apenas R$ 4,919 bilhões para alcançar a meta. "Não há dúvida de que isso será alcançado", disse Lopes.