O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, informou hoje, que no encontro entre as autoridades brasileiras e o representante de comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, na próxima terça-feira, o governo vai reiterar que só aceitará discutir a negociação para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) desde que seja retirada a precondição manifestada pelo governo norte-americano de tratar da abertura comercial apenas após a definição do próximo encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ser realizado em setembro, em Cancum, no México. ?A Alca pode ser interessante para o nosso agronegócio desde que essas aberturas sejam dadas?, observou Rodrigues. Entre os produtos passíveis de negociação estão o açúcar, carnes em geral, fumo e suco de laranja, cuja ?tarifa é brutal nos Estados Unidos?, sublinhou.

A declaração do ministro foi dada na sede da Bolsa de Mercadorias & Futuro (BM&F) de São Paulo, onde almoçou com um grupo de executivos, em evento que recebeu o prêmio ?Os Bem ?sucedidos?, promovido pela revista Banco Hoje em parceria com a BM&F e Bovespa.

O ministro Roberto Rodrigues afirmou que os Estados Unidos estão se dando conta de que hoje o Brasil é um concorrente sério na produção de soja. Pela primeira vez na história, observou, o país estará superando a pauta de exportação norte-americana, movimentando algo em torno de US$ 8 bilhões contra uma oscilação próxima de US$ 7 bilhões dos Estados Unidos.

O ministro revelou que já há um fluxo de investimentos de agricultores americanos em terras brasileiras, estando presentes, por exemplo, nos estados da Bahia e Tocantins. Rpoberto Rodrigues informou que o governo está preparando um levantamento para quantificar a atuação destes produtores no país. ?Temos terra disponível maior do que 40 milhões de hectares em área de cerrado para o plantio de soja, o que indica um horizonte espetacular para o Brasil crescer?.

Na avaliação do ministro, no momento, os produtores estão sendo bem remunerados, já que os preços da soja estão em alta no mercado internacional, compensando a desigualdade de concorrência por causa dos subsídios . Essa competitividade também se deve ao ganho de produtividade interna, disse Rodrigues.