Brasília ? O Tesouro Nacional anunciou que vai recomprar, antecipadamente, US$ 6,64 bilhões de títulos da dívida externa brasileira. Serão resgatados os títulos de tipo Brady ? batizados assim por terem sido emitidos como parte de um plano de Nicholas Brady, secretário de Tesouro dos Estados Unidos em 1989. O chamado Plano Brady era uma forma do governo dos Estados Unidos apoiar a renovação de títulos dos governos latino-americanos que haviam feito uma moratória de sua dívida externa ? entre eles, Brasil e México.

O programa do governo brasileiro é, agora, recomprar os Bradies até o próximo dia 15 de abril. Segundo o secretário brasileiro do Tesouro, Joaquim Levy, o resgate antecipado de títulos fará a União economizar US$ 365 milhões em gastos de juros.

Com a medida, o Tesouro complementa uma série de medidas que pode reduzir em cerca de 12% a dívida externa brasileira ? de US$ 183,151 bilhões, em setembro, para US$ 161,973 bilhões, ao final da compra dos Bradies.

A redução foi alcançada com o pagamento dos empréstimos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 15,5 bilhões, e com o Clube de Paris ? grupo de bancos privados ?, no valor de US$ 815 milhões. Também foram quitados US$ 1,5 bilhão do título Global 2006 e foram recomprados de US$ 774 milhões em outros títulos da dívida externa.

O dinheiro para recomprar os Bradies virá das reservas internacionais ? conta em dólares do Banco Central usada para quitar compromissos externos. Atualmente, as reservas brasileiras estão em quase US$ 57 bilhões, segundo nota do Ministério da Fazenda.

As medidas consolidam a dívida interna como maior débito da União. Com o pagamento e recompra de títulos, dívida externa pode ficar em torno de R$ 347,91 bilhões, pela cotação atual do dólar. Já a dívida interna estava em R$ 984,93 bilhões no mês de janeiro.