Rio – O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Oldair Gonçalves, disse hoje (05) que há chances concretas de que a revisão do Programa Nuclear Brasileiro seja aprovada ainda este ano. "O ministro Sergio Rezende abraçou a causa e o governo já percebeu que ele não pode parar um programa que é estratégico para o país", afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

O ministro Sergio Rezende, confirmou, durante a cerimônia de posse do presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Roberto Garcia Esteves, que o governo pretende retomar ainda este ano as discussões sobre o programa de energia nuclear: "Eu comentei o assunto em reunião ministerial recente com o presidente Lula e ele concordou que o tema é importante e estratégico para o país".

O ministro da Ciência e Tecnologia lembrou que o presidente encontrou o Brasil com uma doença grave, referindo-se à situação macroeconômica do país em 2002. "E quando a gente tem uma doença grave é preciso tomar o remédio", afirmou.

Essa situação, segundo ele, teria gerado dificuldades para realizar as obras que estavam previstas. De acordo com Rezende, foi esse "remédio amargo da estabilização econômica" que postergou os investimentos, entre os quais no programa nuclear.

"Mas a discussão será retomada brevemente", afirmou o ministro. "Desprezar esta tecnologia seria um erro histórico muito grande. Por isso vamos concluir a discussão que vai definir a área nuclear como estratégica para o país. A decisão sobre Angra 3 e outras usinas faz parte do Programa Nuclear Brasileiro, que eu espero que seja aprovado ainda este ano", disse.

Atualmente, o Brasil possui duas unidades nucleares em operação. As usinas Angra 1 e 2, ambas com tecnologia alemã. Elas operam em Angra dos Reis – balneário localizado no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Angra 1 possui atualmente cerca de 520 megawatts de potência. Angra 2, por sua vez, chega a 1080 megawatts.

Segundo anunciou Gonçalves na tarde de hoje, a revisão do Programa Nuclear Brasileiro prevê investimentos de US$ 13 bilhões até 2022 e a construção da usina Angra 3, além de outras duas unidades nucleares de grande porte e quatro de pequeno porte.