Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira (19) que o Brasil não será ?bonzinho?, mas ?justo? nas relações com os outros países do Mercosul.

Durante a Cúpula de Chefes de Estado do bloco, realizada no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva frisou que as economias mais fortes da região precisam ser generosas, ajudar as mais fracas. No entanto, alguns presidentes, como Tabaré Vasquez, criticaram o discurso de Lula.

O presidente uruguaio criticou as desigualdades nas negociações comerciais do Mercosul. Disse ainda que não quer solidariedade e generosidade, mas justiça.

Amorim explicou que, ao falar em generosidade, o Brasil pode ter provocado confusões, porém queria expressar a necessidade de uma ?visão de longo prazo dos interesses mais fundamentais, acima dos interesses mesquinhos e imediatos?.
Ele ressaltou que a ?generosidade? do Brasil não significará bondade, mas justiça. ?Ninguém quer ser bonzinho. Queremos, na realidade, ser justos. Ser justo envolve generosidade, abrir mão de interesses mesquinhos?, disse, em entrevista coletiva no Rio.

Indagado sobre as divergências entre os países do continente, que poderiam ameaçar o desenvolvimento do bloco, Amorim disse considerá-las normais. ?As divergências tornam o bloco mais fortalecido. Homogeneidade só existe nos cemitérios. Onde há vida, há diferença?, argumentou.

Ele ressaltou que a integração do bloco ocorrerá respeitando a pluralidade dos povos sul-americanos. ?Não vejo incompatibilidade nos projetos em curso, vejo diferenças?, afirmou o ministro.