Fonteles: prefeitos e vereadores
de várias cidades.

Brasília

– Em uma nova etapa de investigação, a força-tarefa montada pelo Ministério Público em parceria com a Polícia Federal para apurar o esquema de lavagem de dinheiro que começou a funcionar nos anos 90s por meio do Banestado descobriu que 411 servidores do Poder Executivo Federal e 137 políticos usaram o esquema para remeter dinheiro ao exterior de maneira suspeita, na maioria das vezes com o uso de “laranjas”.

O MP estima que US$ 24 bilhões foram remetidos ao exterior através das CC5 (contas de não residentes) entre 1996 e 2000, cerca de 90% deles de forma suspeita. Segundo os procuradores que comandam a investigação, entre os suspeitos há prefeitos e vereadores de várias cidades e servidores públicos de alto escalão. Os dados foram anunciados ontem pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, e pelos procuradores Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá, de Brasília, e Vladimir Aras e Carlos Fernando dos Santos Lima, de Curitiba.

A força-tarefa foi constituída em 2003 e de lá para cá foram denunciadas 375 pessoas só em Curitiba e 68 em Foz do Iguaçu. Dezesseis delas já foram condenadas, sendo que três tiveram sentença transitada em julgado, ou seja, não podem mais recorrer. No Paraná, desde 2003, foram feitas 22 denúncias, 27 pedidos de quebra de sigilo e 109 pedidos de seqüestro de bens. A Justiça concedeu o arresto de R$ 107.361.036,10 milhões, incluindo imóveis, cavalos, dinheiro e automóveis.

A lista de políticos que enviaram dinheiro ao exterior foi obtida através do cruzamento da base de dados das CC5 com as listas de candidatos que disputaram as eleições desde 1996, fornecidas pela Justiça Eleitoral. Já a relação de servidores foi obtida com o cruzamento de dados das CC5 com a listagem de servidores públicos federais fornecida pela Controladoria Geral da União. A força-tarefa também investigou os servidores do Ministério Público, mas não encontrou indícios de envolvimento com o esquema. Agora, os procuradores planejam estender a investigação aos servidores do Legislativo e do Judiciário. As investigações serão descentralizadas, ficando a representação da Procuradoria da República em cada estado encarregada das investigações sobre as operações de doleiros da região.

Fonteles voltou ontem a defender a participação do Ministério Público nas investigações policiais. Ele chegou a citar trechos de um samba- enredo e de um reggae de Bob Marley para defender a sua opinião. Fonteles não só defendeu a atribuição como foi ainda além: ele quer que os procuradores e promotores quebrando sigilos bancários sem autorização judicial.

Fonteles, disse ainda que seu sonho é ver a Polícia Federal e o Ministério Público atuando como uma única instituição. Fonteles disse que os procuradores não querem o lugar da polícia e citou trechos de um samba-enredo do Salgueiro que diz “não somos melhores nem piores, somos diferentes” e da música ?I shot the sheriff?, de Bob Marley.