A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nesta quarta-feira, 08, nota em que condena as ameaças feitas ao repórter fotográfico Fabiano Rocha, do jornal carioca Extra, após a publicação, na capa da edição da última terça-feira do diário, de uma foto que mostra um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) usando touca ninja durante o patrulhamento.

Uma portaria emitida pela Secretaria Estadual de Segurança em 1995 proíbe o uso de máscaras por policiais em ação no Rio. Rocha fez a foto enquanto cobria conflitos entre a PM e traficantes no Complexo do Alemão (zona norte do Rio).

Desde a divulgação da imagem, Fabiano tem recebido ameaças de policiais militares em redes sociais. Foram divulgadas imagens de Rocha e de sua família, além de dados pessoais e endereço do fotógrafo (que, segundo o jornal, são falsos). Entre os comentários postados estão as afirmações de que ele “tem que tomar tiro na testa” e de que seu trabalho é “babaquice” e ele deve ser intimidado.

Em nota, a Abraji afirma que a exposição de informações pessoais de Fabiano e de seus familiares “coloca em risco a segurança do profissional”. “Mais graves ainda são as ameaças e incitações à violência: nenhum jornalista deve sofrer intimidações ou represálias por realizar seu trabalho. A Abraji espera que os responsáveis pelas ameaças recebam as sanções adequadas”, conclui a entidade.