Brasília (AE) – A denúncia da revista Veja de que o PT fez uma negociação de R$ 10 milhões com o PTB, em troca de apoio nas eleições municipais e de cargos no governo, deflagrou uma crise entre os petebistas. O deputado Roberto Magalhães (PTB-PE) divulgou nota ontem criticando o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). O motivo da irritação do deputado pernambucano foi a declaração atribuída a Jefferson, que teria dito que os deputados Joaquim Francisco e Roberto Magalhães sugeriram a obtenção de recursos com o PT para a campanha do PTB em Recife. Joaquim Francisco é o candidato petebista à prefeitura de Recife.

“É estranho que tendo sido o Recife a única capital que não se curvou à diretriz nacional partidária de coligar-se ao apoiar os candidatos do PT, possa vir agora ser acusada de pretender auferir vantagens do mesmo PT. Isto se ajustaria muito mais aos que sofreram pressão e desistiram de candidaturas, e fizeram alianças de última hora para favorecer o PT. Querer circunscrever a crise do partido a Pernambuco é uma manobra maquiavélica, que jamais será aceita pelas pessoas esclarecidas e conhecedoras da política brasileira”, diz a nota assinada por Roberto Magalhães.

O secretário geral do PTB, deputado Luiz Antonio Fleury Filho (SP), tentou minimizar as críticas feitas por Magalhães. “Esse não é o momento de acirrar os ânimos internos no partido. É verdade que existe uma divergência localizada no PTB de Pernambuco em relação ao presidente nacional do partido. Mas vamos conversar internamente. Não contribui em nada trocar notas através da imprensa”, disse Fleury.

Na nota, Magalhães argumentou ainda que “tem se pautado por uma linha de independência no plano nacional e de oposição ao PT no plano estadual” e, portanto, não faz nenhum sentido a declaração do presidente do PTB de que teria sugerido receber dinheiro dos petistas para a campanha em Recife. “Dentro do PTB, até agora, sou o único militante que já declarou à imprensa que não subirá no palanque do PT no Recife, se houver segundo turno na hipótese de exclusão do nosso candidato Joaquim Francisco”, lembrou Magalhães. “Também não recordo de qualquer palavra por parte do deputado Joaquim Francisco, nas mesmas circunstâncias, que possa emprestar veracidade às palavras do presidente do PTB nacional”, completou.

A denúncia do suposto acordo entre o PT e o PTB levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a se manifestar favoravelmente à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Na opinião do ex-governador Fleury, Fernando Henrique resolveu aproveitar o momento para “contribuir com a campanha de José Serra”, candidato tucano à prefeitura de São Paulo.

O líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), ironizou a proposta de Fernando Henrique. “Quanta diferença de quando ele (FHC) era presidente da República e impediu a criação de uma CPI para investigar a compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. Mudou muito a plumagem dele”, afirmou.

Partido recorre à Procuradoria

Brasília (AE) – Diante do esvaziamento do Congresso em função das eleições municipais e por causa da provas, a Direção Nacional do PSDB mudou de estratégia no caso do suposto “acordo financeiro” entre o PT e o PTB, pelo qual petebistas deveriam receber dinheiro em troca do apoio a candidatos petistas a prefeito.

Em vez de articular a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a denúncia publicada pela revista Veja, os tucanos decidiram ontem que encaminharão um pedido de apuração do caso à Procuradoria-Geral da República.