Ao apresentar sua defesa ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o desembargador José Ricardo de Siqueira Regueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e São Paulo) – acusado de formação de quadrilha na denúncia da Operação Furacão – não se limitou a rebater as acusações que lhe foram feitas, mas atacou duramente tanto o procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza, a quem chamou de mentiroso, como a Polícia Federal, considerada "nazista". Nesta segunda-feira (6), o desembargador lamentou que "os conselheiros não leram o que escrevi, do contrário teriam votado contra o processo disciplinar". Para ele, vivemos atualmente um momento "pior do que na época da ditadura".

No documento assinado por ele, são levantadas cinco questões preliminares pelas quais não caberia ao CNJ abrir processo disciplinar – o que foi feito no último dia 31. Ele argüiu a isenção do ministro relator, o então corregedor do Conselho, Antônio de Pádua Ribeiro, por conta da sua rixa com o ministro Paulo Medina, também denunciado junto ao Supremo Tribunal e incluído no processo administrativo do CNJ. Regueira defendeu a tese de que o Conselho deveria esperar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), onde a denúncia ainda não foi recebida.

Ele acusou a Polícia Federal e o Ministério Público de só transcreverem parte das escutas e de fabricarem provas. Rebateu o fato de os policiais concluírem que participou de reunião com membros da chamada máfia do jogo por meio de indícios. Também rebateu a acusação de que uma planilha encontrada em seu gabinete provaria o dinheiro que teria recebido dos bingos. Ele desmentiu ainda que tivesse encontros freqüentes com o advogado Jaime Dias Garcia, apontado como lobista dos donos de bingo. "As mentiras se alastram em tudo o que é dito pelo Ministério Público Federal em sua denúncia, custando a crer que seja possível que alguém seja alçado a cargo tão importante e não tenha um mínimo sequer de compromisso com a verdade".