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Beto Albuquerque considera prudente a definição em fevereiro.

Brasília (ABr) – O adiamento da composição da equipe ministerial que executará as políticas públicas definidas para o segundo mandato recebe apoio de parlamentares governistas e analistas políticos. Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que não anunciará suas decisões até o início de janeiro.

Esse adiamento pode beneficiar Lula e o País, na avaliação do cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília. ?Os interinos (ministros e presidentes e diretores de estatais e autarquias) vão querer mostrar mais algumas semanas de bons serviços para tentar permanecer em seus cargos. Tem males que vêm para o bem, e esse pode ser um dos casos?, afirmou.

Segundo Fleischer, o tempo para as nomeações para alguns cargos está vinculado diretamente às eleições para as presidências da Câmara e do Senado Federal. ?Se o presidente tiver incerteza sobre a sucessão na Câmara, deve nomear alguns ministros antes da posse, em 1.º de janeiro, e retardar para depois das eleições (das mesas diretoras) as nomeações dos ?frutos? maiores (ministérios com orçamentos maiores).? Entre as pastas ?mais atrativas? para os partidos, o professor da UnB cita Cidades, Integração Nacional e Transportes.

A oposição critica os métodos usados pelo governo na composição da coalizão, como a cessão de cargos em troca da garantia de apoio político. Para o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), ?não há compromissos com idéias, nem com formulações programáticas, mas, sim, com a disputa por cargos?. Quanto ao processo sucessório na Câmara e no Senado, Agripino Maia diz que a estratégia do governo ?é criar expectativas?. ?Eu quero o seu voto e dou isso. Depois que o processo se tornar um fato irreversível cumpre-se o que puder.?

Apesar das críticas da oposição, o presidente Lula tem chamado para conversas institucionais os dirigentes dos partidos que pretende ter na sua base de apoio parlamentar. O PMDB, maior partido na Câmara e no Senado, foi um dos primeiros a ser chamado para essa conversa. ?O governo de coalizão deve se dar, primeiro, em torno da definição de um programa mínimo a ser implementado para se ter um crescimento mais rápido da economia. A definição desse programa deve se dar, num primeiro momento, em conversas com partidos da coalizão e o governo e depois entre os partidos?, tem afirmado o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), diz que ?neste momento está sendo avaliado um conjunto de medidas na área econômica para alavancar o que é uma das diretrizes principais do próximo governo, que é o crescimento econômico mais acelerado em relação ao primeiro?. Fontana considera o 1.º de janeiro a data mais adequada para os anúncios, porque o segundo mandato, na prática, já está em andamento. Ele considera, entretanto, que não existe ?atraso? para compor um governo. ?Para compor um governo é preciso a prudência e a qualidade.?

O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), considera ?prudente? a decisão do presidente Lula de adiar o preenchimento de cargos importantes. Segundo Albuquerque, esse tempo será necessário para que os partidos aliados discutam e se entendam no processo de formação da coalizão partidária. ?Lula faz muito bem aguardar para fevereiro a ocupação de cargos, como ministérios importantes, para que a base aliada tenha juízo na hora de acertar a coalizão na eleição da presidência da Câmara?, afirma.

O cientista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz, é outro que concorda com a postergação das decisões. ?No momento que terminou o segundo turno, o presidente Lula iniciou o segundo mandato. Ele, que estava na defensiva, passou a ser o protagonista do processo político nacional?, pondera. ?O presidente estará correto se deixar para concluir a reforma ministerial depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado.?

Queiroz considera que a ocupação de ministérios e outros cargos públicos deve ser feita em etapas ?para oxigenar o governo?. Segundo ele, isso daria mais força ao presidente na consolidação da coalizão pretendida. O cientista político ressalta, ainda, que a nova equipe de governo tem que estar comprometida com os quatro desafios imediatos do governo: formar uma base de apoio consistente no Congresso; eleger os presidentes da Câmara e do Senado; definir uma agenda de reformas viável; e compor uma equipe tecnicamente preparada, eticamente inatacável e políticamente respaldada.