Uma menina de 14 anos entrou na Colônia Penal Agrícola (CPA) de Charqueadas (RS), entregou uma encomenda de drogas, passou toda a madrugada na companhia de detentos e foi embora ao amanhecer desta quarta-feira (16). A Polícia Civil e a Corregedoria da Superintendência Estadual de Serviços Penitenciários (Susepe) estão investigando se funcionários facilitaram a circulação da adolescente dentro da penitenciária e o que ocorreu durante as horas que ela passou por lá.

O caso só foi descoberto porque, depois de sair da CPA, a menina pediu carona a um caminhoneiro para voltar para casa, na zona sul de Porto Alegre, a 70 quilômetros de onde estava. O motorista ouviu a história e decidiu levar a menor para um posto da Brigada Militar (a PM gaúcha) próximo. Em seguida o caso foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Charqueadas. No depoimento ao delegado Pedro Urdangarin, a adolescente contou que aceitou prestar um serviço para um preso em regime fechado na Penitenciária Estadual de Charqueadas, que fica próxima à CPA, que tem regime semi-aberto. A operação foi combinada por telefone.

Por orientação do contratante, a garota esperou um táxi num local determinado, na zona sul de Porto Alegre, foi levada pelo motorista a um ponto onde recebeu dinheiro e drogas e, posteriormente, deixada do lado de fora da cerca da CPA, já na madrugada. Na colônia penal, onde entrou pulando uma cerca, ela era esperada por um detento, que a conduziu até um alojamento, onde estava o receptor da encomenda. A menina admitiu ter beijado um homem, mas sustentou que não manteve relações sexuais com ele e que só ficou no local por algumas horas para esperar o amanhecer, quando as possibilidades de conseguir uma carona seriam maiores. Depois dos depoimentos e de uma série de exames ela foi encaminhada ao Conselho Tutelar.