Rio – Até dois anos atrás, o garoto G., de 16 anos, morava em Belo Horizonte com a mãe e a irmã, três anos mais nova. A mãe se mudou sozinha para o Rio, ele não sabe porquê. Ele e a irmã vieram atrás, mas não a encontraram. Os irmãos se separaram e G. passou a morar na rua. Hoje, passa as noites com os amigos numa galeria de águas pluviais que tem saída nas areias da praia de Ipanema. O adolescente faz parte de um grupo que, por vezes, chega a ter 20 meninos e meninas, com idades entre 9 e 16 anos. Entre eles, há os que fugiram de casa, seja por sofrerem agressões ou pelo desejo de serem livres. Outros foram abandonados pela família. Uns têm pai e mãe, mas moram longe e preferem perambular pela orla a retornar. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio, foram encontrados no local menores vindos de municípios da Baixada Fluminense – dois de Austin e quatro de Nova Iguaçu.