O Comando da Aeronáutica deverá punir o presidente da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA), sargento Wellington Rodrigues, por ter dado entrevistas criticando o sistema de controle aéreo brasileiro. Segundo advogados dos controladores de vôo, Wellington preencheu hoje um formulário de transgressão disciplinar e deverá ser punido com pena de prisão de 10 dias. Mas antes da punição, a assessoria jurídica da Aeronáutica deverá dar parecer, no prazo de dois dias, sobre o episódio envolvendo o presidente da associação.

Além da punição pelas entrevistas, Wellington Rodrigues corre o risco de vir a ser expulso da Força Aérea Brasileira (FAB) sob a alegação de que teria insuflado motim dos controladores de vôo, no dia 30 de março, quando todo o tráfego aéreo brasileiro foi praticamente paralisado. O Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o motim foi enviado ontem para o Ministério Público Militar. A pedido do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, o IPM foi estendido até o dia 1º de julho, quando foram ouvidas mais 12 pessoas envolvidas no motim. A expectativa é que seis sargentos sejam acusados de crime de motim, o que implica em pena de prisão de oito anos e, conseqüentemente, expulsão da Aeronáutica. A expectativa é que cerca de 20 sargentos deverão ser enquadrados em transgressão disciplinar.

Em depoimento hoje à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o comandante do Cindacta-3, coronel José Alves Candez Neto, afirmou que não afastou dois operadores de vôo sob seu comando em Recife por terem participado, na semana passada, do 1º Encontro Sul-Americano de Controladores de Vôo, em Brasília. O comandante disse que o sargento De Castro terá de se explicar porque, apesar de ter viajado para Brasília com uma ordem de serviço para participar de atividade no Cindacta-1, não apareceu para trabalhar no centro de controle e foi para reunião dos operadores de vôo.

"Ele (De Castro) não está punido, mas está com uma ficha para se justificar. Ele usou meios da Aeronáutica, com passagens e diárias, e não cumpriu a sua missão", observou o coronel. Já o sargento Bessa participou do encontro de controladores mas, segundo o comandante do Cindacta-3, estava de férias e foi a Brasília com os próprios recursos. "Não houve orientação para os controladores não participarem do encontro. Se forem punidos, não é pela participação", disse Candez.