A Aeronáutica divulgou nota oficial nesta segunda-feira (6) em que "lamenta profundamente os fatos noticiados, onde documentos pessoais de vítimas do acidente da Gol teriam sido utilizados em transações diversas, supostamente de forma fraudulenta". Na tentativa de eximir a Força Aérea da responsabilidade pelo desvio e pilhagem de documentos e bens das 154 vítimas do acidente da Gol, como o telefone celular de uma passageira localizado no Rio de Janeiro dez dias depois da tragédia, eles argumentam que os destroços da aeronave estavam espalhados por uma grande região de floresta e concluem: "Em razão disto, foi impossível isolar toda a área durante a operação de resgate".

O documento, assinado pelo porta-voz da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, afirma que "logo na primeira semana, no local dos destroços, os militares encontraram os primeiros grupos de pessoas estranhas à operação, que imediatamente foram orientados e conduzidos para fora da área de busca". Segundo o brigadeiro, a operação de resgate montada pela FAB em 29 de setembro do ano passado, "teve como objetivo principal" a busca e resgate de sobreviventes.

"Após a confirmação de que não existiam sobreviventes, os esforços das equipes se concentraram única e exclusivamente na localização dos corpos", prossegue o texto, que não poupa elogios ao grupamento do Para-Sar que trabalhou no resgate. Além de destacar "o empenho e o trabalho profissional e anônimo de seus integrantes durante toda a operação", a Aeronáutica fez questão de ressaltar que tudo foi feito com muito esforço e respeito. Lembrou, também, que, inicialmente, "os documentos foram manuseados pela Polícia Civil do Mato Grosso, que estava à frente da investigação policial".

A FAB explicou, ainda, que foram 44 dias de trabalho, "sob condições críticas e severas", que envolveram o esforço diuturno "de mais de 800 pessoas", de diversos órgãos públicos federais e estaduais, entre militares, policiais e legistas, acompanhados de perto pela imprensa que se deslocou até a Fazenda Jarinã (MT). Já na fazenda, os militares contaram com a ajuda dos legistas do Instituto Médico Legal (IML) na pré-identificação dos passageiros.

Diz a nota que "os bens e materiais que eventualmente estavam juntos aos corpos ajudaram os legistas neste trabalho de identificação e que estes pertences acompanharam os corpos, transportados até Brasília nos aviões da FAB, em câmara frigorífica fechada. "Mais tarde, o próprio IML encaminhou esse material aos familiares", atesta o documento.

Pelo relato dos militares da Aeronáutica que participaram do trabalho, os pertences de maior volume, como malas, só começaram a ser transportados para o Cachimbo e catalogados por militares e funcionários da Gol, em um trabalho conjunto, à medida que a retirada de corpos já estava avançada. Das mais de 4 toneladas que embarcaram no vôo, aproximadamente 1,6 tonelada foi encontrada pelas equipes de resgate e entregue à Gol, em Brasília, ao final da operação.