Embora o governo e as empresas aéreas ainda tentem encontrar soluções para a crise no setor, já é certo que eventuais restrições terão como alvo os aeroportos de Congonhas, na zona sul da capital, e Cumbica, em Guarulhos. É consenso entre os envolvidos que os gargalos de infra-estrutura e de controle do espaço aéreo se concentram em São Paulo. Mas como todas as propostas elencadas até agora pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) passam pela redução de vôos, as companhias resistem em aceitá-las.

Em Congonhas, por exemplo, uma possibilidade para amenizar os atrasos seria impedir o uso do aeroporto como ponto de escala. Com vôos partindo direto para um destino, dizem especialistas, é possível diminuir o número de pousos e decolagens e assim reduzir o fluxo de passageiros nos terminais de embarque. "Do ponto de vista operacional, é uma saída válida", diz um técnico do setor. "Mas, comercialmente, seria uma catástrofe." Outra alternativa é diminuir o número de trechos feitos por uma mesma aeronave. Para conseguir oferecer tarifas mais baixas, as empresas têm utilizado seus aviões, em média, 13 horas por dia.

Em ambos os cenários, porém, os passageiros seriam punidos não só com o aumento de tarifa, mas com a redução da oferta de vôos. Fontes do setor afirmam que, se propostas desse tipo forem colocadas em prática, será o fim das promoções a R$ 50. De 2003 para cá, conforme estatísticas da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), a ocupação média das aeronaves que operaram em Congonhas e Cumbica saltou de 65,7% para 90%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo