São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que o governo do presidente Lula está à deriva, ?atropelado pelos fatos? que o envolvem na crise política. ?O que está acontecendo no Congresso Nacional mostra o governo à deriva. O governo está sendo atropelado pelos fatos, beneficiado, graças a Deus, por uma extraordinária liquidez internacional. Então, se tem um quadro internacional ótimo, que nós poderíamos estar crescendo celeremente 6, 7% ao ano e estamos andando meio de lado. Qual o caminho? O caminho é apurar e procurar fazer com que as coisas caminhem?, disse ele.

O governador paulista, um dos candidatos do PSDB à presidência da República, criticou também o presidente Lula por seus discursos pelo país, como se estivesse em campanha eleitoral. ?Eu acho que na realidade é muito discurso e retórica totalmente sem sentido. E uma inoperância muito grande. Qual o caminho? O caminho é trabalho. É menos conversa e mais trabalho?, afirmou. Embora considere que a crise é grave, Alckmin evitou defender o impeachment de Lula. ?Eu acho que as investigações precisam continuar. O que há de estranho é se ter o mesmo fato e quatro versões diferentes e nenhuma bate com a outra. Já está na 4.ª versão. Há que se explicar. Eu acho que a investigação deve ser feita com profundidade?, disse ele.

Para o governador paulista, há provas suficientes para responsabilizar o governo, mas ele acha que ainda é cedo para se chegar a uma conclusão. ?Nunca se teve tanta prova, nunca se começou uma investigação, e ela só está começando, com tantos ingredientes para poder apurar essas denuncias. É continuar. Esse trabalho precisa ser feito com firmeza, com tranqüilidade. É continuar o trabalho de investigação. Isso está sendo feito pelas CPIs, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público. É aguardar?, concluiu.

Hoje ou nunca

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse na CPI dos Correios que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve prestar esclarecimentos à nação nesta sexta-feira. Para Simon, Lula pode pôr em risco a governabilidade do país se adiar o pronunciamento que fará, de acordo com o senador, nesta sexta. ?Lula está numa posição muito séria, hoje. Amanhã é o dia para ele falar. É amanhã ou nunca. Segunda-feira pode ser tarde. Talvez o presidente Lula não tenha a chance de falar à CPI e à nação como ele vai ter amanhã?, afirmou.

O senador afirmou ainda que o depoimento do publicitário Duda Mendonça na CPI ontem atingiu o presidente Lula e mudou os rumos das investigações da comissão. Duda voltou a negar que tenha recebido pagamento por caixa dois pela campanha eleitoral de Lula em 2002.

Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que o depoimento prestado na CPI dos Correios pelo publicitário Duda Mendonça é grave ?e parece sincero?. A uma pergunta sobre a possibilidade de antecipação das eleições diante da crise que afeta o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado disse ser contra a idéia.