Brasília – Na véspera da sessão para a criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) com o objetivo de apurar o suposto esquema de propina nos Correios e no dia em que aumentou o número de apoios à investigação, o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, acusou a oposição de abandonar o respeito à democracia e tentar desestabilizar "um governo legitimamente eleito". Em declarações cheias de referências a golpes da história que tentaram destituir e que derrubaram Poderes, Rebelo afirmou que a oposição adota o caminho do "achincalhe" e da demagogia com objetivos eleitorais.

"Se a oposição não tem candidato para enfrentar as próximas eleições, respeite a democracia. Não tente fazer o que fizeram com governos anteriores: são as mesmas forças que tentaram, desde o início da República, tentaram derrubar o governo do presidente Floriano Peixoto, sem sucesso, tentaram contra o presidente Getúlio Vargas, contra o presidente Juscelino, contra o presidente Jânio Quadros, João Goulart, e nós não vamos aceitar esse tipo de jogo", afirmou, após se reunir com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

"Que a oposição não confunda tolerância com pusilanimidade nem paciência com covardia", disse. Na mesma linha do discurso de golpe, o ministro afirmou que a direita e a oposição não têm candidato viável para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições e que, por isso, procuram criar um clima de 54. "Está (a oposição) buscando um Gregório Fortunato. O que nós queremos dizer à oposição é que não vai achar Gregório Fortunato no nosso governo", afirmou. Fortunato era o chefe da guarda do então presidente Getúlio Vargas e foi acusado de ser o responsável pelo episódio que ficou conhecido por atentado da Rua Toneleros, na qual o governador da Guabanara, Carlos Lacerda, opositor de Vargas, foi atingido por um tiro.

Apesar das declarações, Rebelo negou que falasse de tentativa golpista. "Estou referindo-me a métodos que vão de expressões e de frases como usadas por um ex-presidente para se referir ao governo do presidente Lula", disse, sem citar o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Fernando Henrique afirmou que "o governo atual mais parece um peru bêbado em dia de Natal", no sábado (21), no Encontro Estadual do PSDB em São Paulo, o que irritou o Palácio do Planalto.

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), reagiu às declarações de Rebelo, sugerindo um calmante ao ministro. "Recomendo um Lexotan todas as manhãs para ele ficar mais calmo", disse Maia.