Foto: Arquivo/O Estado
Alencar: apoio a Marina.

Brasília (AE/ABr) – O vice-presidente José Alencar defendeu ontem, em entrevista no Palácio do Planalto, uma redução dos gastos da administração pública, especialmente as despesas do ?aparato? da vice-presidência da República. Ele deu como exemplo seu próprio caso: ?Vou a São Paulo amanhã (hoje) e gostaria de ir sozinho, ficaria satisfeito e feliz. É preciso fazer cortes. Um dos cortes é o do aparato que me acompanha?. Alencar fez as declarações após audiência em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dirigentes do PRB.

O vice-presidente mencionou, também como exemplo, a viagem que fez a Nova York, recentemente, para a cirurgia de retirada de um tumor no abdome: ?Não precisava daquele aparato. Fiquei honrado de ser acompanhado por eles (assessores e seguranças), mas não precisava. O governo não pode ser transigente com gastos supérfluos?.

Alencar se disse favorável a um aumento do número de integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN), que define as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e creditícia. Atualmente são integrantes do CMN os ministros da Fazenda e do Planejamento e o presidente do Banco Central.

Marina

Alencar também defendeu a permanência da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no cargo durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas evitou fazer comentários sobre rumores de que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, supostamente considera a legislação ambiental um entrave ao desenvolvimento econômico. A uma pergunta sobre as informações de bastidores de que Dilma estaria querendo a saída de Marina do cargo, o vice disse apenas: ?Isso aí não é questão minha. Estou falando como cidadão?.

Alencar disse que tem ?a maior admiração? pela ministra do Meio Ambiente. ?Ela foi minha colega no Senado, e conheço suas propostas. Ela tem procurado estruturar o Ministério do Meio Ambiente. É claro que há determinados entraves (ao desenvolvimento) que precisam ser resolvidos, porém dentro da lei. A gente tem de respeitar o meio ambiente?, declarou. ?Sempre estive do lado dela, por razões óbvias. Ela (Marina) é uma grande brasileira e tem condições excepcionais de ajudar o Brasil na preservação do meio ambiente, sem prejuízos para o crescimento?, concluiu.

Projeto

Dentro da série de encontros partidários que Lula vem realizando desde as eleições, ontem foi a vez do PRB. Além de José Alencar, participaram da reunião o presidente do partido, Victor Paulo, e o senador Marcelo Crivella (RJ). Victor Paulo disse que, durante o encontro, foi discutido um projeto para o país nos próximos anos. Segundo ele, não foram tratados no encontro cargos para os próximos anos. ?Não discutimos o espaço que o PRB terá, se terá, que espaço será esse, não foi o assunto em pauta?, afirmou Victor Paulo.

Marcelo Crivella disse que o partido está satisfeito e acredita que agora há condições de o Brasil crescer. ?Tenho certeza de que esse novo governo será muito mais próximo daquilo que a gente sempre imaginou para o Brasil?, afirmou o senador. De acordo com Crivella, no primeiro governo, o presidente assumiu com o risco Brasil muito alto, com taxas de juros de 26%. ?Agora a economia está indo muito bem e há consciência, não só do presidente, mas da sociedade, de que é preciso o Brasil crescer?, afirmou.