Brasília – O vice-presidente da República, José Alencar, saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou nesta terça-feira que nada vai afetar a autoridade moral do presidente. "O presidente Lula é um homem de bem, um homem sério, um homem correto. Nada vai afetar a sua autoridade moral. Eu não tenho a menor dúvida disso. Isso não significa que ele não esteja sofrendo. Ele está sofrendo e o presidente é muito aberto", afirmou.

Alencar negou que governo esteja parado por causa da crise política e afirmou que os trabalhos dos ministérios estão "transcorrendo de forma absolutamente normal". O vice-presidente lamentou que a crise esteja ocupando todo o espaço da mídia e defendeu que as CPIs sejam rigorosas na apuração das denúncias, mas sem prejulgamentos. "Eu acho que o Brasil precisa ser passado a limpo. Um homem público tem que compreender que a vida pública é de sacrifícios, e não uma vida para que se locuplete nela. Isso tem que acabar. Nesta lista de cassações há muitas pessoas que podem ter participado de algum recebimento de recursos, mas de maneira diferenciada", disse Alencar, afirmando que é preciso olhar caso a caso.

Alencar disse ainda que as investigações e as crises fazem parte do regime democratico e aproveitou para citar uma frase de Winston Churchill: "A democracia é um péssimo regime, só que não há outro melhor".

Alencar também negou os rumores de que esteja saindo do PL por se sentir desconfortável, principalmente depois que o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, renunciou ao mandato de deputado devido às denúncias de envolvimento no esquema do mensalão. Alencar disse, inclusive, que participa nesta quarta-feira, às 9h, de reunião do partido convocada por Costa Neto. "Em época de guerra, boato é como terra. Por enquanto não me passou pela cabeça, é claro que não costumo dizer que dessa água não beberei, mas isso não significa que esteja pensando em trocar de partido", afirmou.

Alencar lembrou que entrou no PL entre setembro e outubro de 2001 e que sua filiação ocorreu porque havia possibilidade de aliança entre o PL e o PT para as eleições presidenciais de 2002.

"Cheguei ontem ao partido. Ingressei porque havia possibilidade de aliança entre o PT e o PL", disse.

Quanto às denúncias envolvendo integrantes do partido, como Costa Neto, Alencar disse que é preciso cuidado para não fazer julgamentos precipitados.