Brasília – O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez um duro discurso no plenário em que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um choque de ética, moralidade e seriedade no país. Simon também condenou a forma das negociações do governo com o PMDB e afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador José Sarney não seriam os melhores aliados para Lula. Os dois senadores estão à frente das negociações da ala governista com Lula em torno da reforma ministerial.

"O Lula tem diante de si a responsabilidade de terminar o seu governo, que poderá terminar na reeleição, mas poderá terminar no vazio. E esse governo tem que ser um governo com choque ético, mas um choque para valer. Faça isto, presidente Lula, dê um choque ético, um choque de moralidade, um choque de seriedade. Faça transformações profundas, modifique. Não precisa dizer que errou, mas pode dizer "vou mudar", e faça aquilo que a nação está esperando. É isso que se espera do presidente Lula. É essa a sua biografia, sua história", afirmou.

Simon pregou as demissões do ministro da Previdência, Romero Jucá, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ambos investigados pelo Supremo Tribunal Federal, e elogiou a escolha de Dilma Rousseff para a Casa Civil. "O presidente Lula tem que fazer um limpa nisso. Ele tem que fazer o que fez na chefia da Casa Civil, onde colocou uma mulher séria, uma tocadora de obra, porque alguém precisa tocar o governo", disse Simon, com uma sugestão a Lula:

"Eu, se fosse ele, convidava o ex-procurador (Cláudio Fontelles) para o Palácio do Planalto, porque é o tipo de homem sério, santo, digno e correto, que poderia estar ali a sua direita, onde estava Frei Beto, para orientá-lo, ajudá-lo e colaborar com ele." Ele criticou Lula por não receber o presidente do PMDB e optar por almoçar, com Renan e Sarney.

"(Lula) almoça com nosso ilustre companheiro Renan, que entende muito de governo. Foi do PCdoB. Saiu dali, estava na China com os quatro que lançaram a aventura de (Fernando) Collor, que deu certo. Mas quando Collor caiu, ele já tinha deixado Collor. Foi ministro de Fernando Henrique. E apoiou a campanha de José Serra, dando como vice um companheiro nosso. Perdeu Serra, já estava ele negociando com Lula. Não me paarece que seja a grande figura", disse Simon.