aumento do preço dos alimentos em todo o mundo pode contribuir para o agravamento do tráfico internacional de mulheres. A opinião é de Márcia Campos, presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), uma entidade criada em 1945 e que luta pela igualdade de direitos.

?Nos últimos nove meses, os cereais, o trigo, a soja aumentaram em quase 90% o seu valor. Se a fome e a pobreza já jogam as mulheres no tráfico, imagine com uma realidade dessas agravada. É um assunto gravíssimo e temos que jogar firme contra ela?, disse Campos, que é a primeira latina a ocupar a presidência da entidade.

Em entrevista ela afirmou que o tráfico de mulheres é uma questão grave em todo o mundo e precisa ser combatido com programas e políticas sociais. ?A primeira coisa que se deve fazer é criar uma condição de vida para as pessoas: alfabetizar os analfabetos, dar emprego para todo mundo, criar condição de auto-estima para a mulher, a fim de que ela não pense em saídas desse tipo para resolver o problema de subsistência?. Segundo Márcia Campos, a maior parte das mulheres que se tornam vítimas do tráfico é pobre.

A presidente da FDIM participou nessa quinta-feira (29), na Universidade Ibirapuera, em São Paulo, de um seminário sobre tráfico de mulheres. Durante o encontro, a universidade apresentou protocolo de intenções para implantar um observatório internacional no Brasil, que pretende coletar dados estatísticos sobre os direitos e o tráfico de mulheres em 160 países.  

?Vamos tentar pulverizar essa informação por país, por raça, por faixa de idade e faixa de educação?. A expectativa, de acordo com Márcia Campos, é de que os dados mais gerais desse banco estejam prontos em janeiro do ano que vem e que possam ser acessados na internet – em endereço eletrônico ainda a ser criado – por qualquer pessoa.