O físico Luiz Pinguelli Rosa, futuro presidente da Eletrobrás, disse que acredita ter havido má interpretação da frase do ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, sobre a possibilidade de o Brasil vir a desenvolver a bomba atômica. “Não há a mínima chance de isso acontecer, nem mesmo de o Brasil deter a tecnologia nuclear com esta finalidade”, disse Pinguelli, que é membro do Conselho Mundial para a Eliminação da Bomba Nuclear, fundado por Albert Einstein.

Segundo Pinguelli, o ministro Roberto Amaral teria defendido em seu comentário que o Brasil procurasse desenvolver a tecnologia nuclear com a finalidade de produzir energia elétrica. “O Brasil produz reatores atômicos e deve desenvolver tecnologia para isso”, comentou. Segundo ele, o Brasil também não promove o enriquecimento do urânio em níveis suficientes para o desenvolvimento da bomba atômica.

Ele explicou que o desenvolvimento de uma bomba tipo A, que explodiu em Nagasaki e Hiroshima, e que já esta desatualizada frente à tecnologia existente nos Estados Unidos, Rússia ou França, exige um teor de enriquecimento de urânio de 90%. O nível de enriquecimento de urânio no Brasil é de 3%, chegando a, no máximo, 5% para o projeto de submarino nuclear que está em desenvolvimento pela Marinha de Guerra.

Outro projeto de enriquecimento de urânio existente, segundo ele para ser inaugurado em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, tem a finalidade apenas de fornecer combustível para os reatores e o submarino. “O Brasil e uma liderança no combate à bomba atômica, e signatário do tratado que prevê a não proliferação das bombas existentes.”