Brasília – A alfabetização é um dos pontos básicos para o desenvolvimento de um povo. Os números mostram um quadro extremamente negativo na América Latina, com 40 milhões de pessoas iletradas. Mas o analfabetismo não é só uma questão de quantidade. Os analfabetos são mais pobres entre os pobres e o fato mais dramático é que esta falência coincide com o mapa das desigualdades sociais, étnicas e também de gênero, já que muito mais da metade dos iletrados são mulheres. O Dia Internacional da Alfabetização, 8 de setembro, é celebrado todos os anos pela Unesco, desde 1967, e sempre traz muitos questionamentos sobre o que pode ser feito para reverter a situação da alfabetização.

Levando em consideração a proposta da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que decretou o período 2003-2013 como o Decênio da Alfabetização, pode-se ver uma possível luz no fim do túnel. A meta da organização é reduzir a população analfabeta à metade para o ano de 2013.

Na verdade, a humanidade conseguiu um certo progresso, já que, atualmente, por volta de quatro bilhões de pessoas no mundo estão alfabetizadas, mas a alfabetização universal, ou seja a de crianças, jovens e adultos, ainda é uma meta distante. O Fórum para Educação da Venezuela defende que esse atraso é uma combinação de diversos fatores, como o delineamento de metas demasiadamente ambiciosas, falta de coordenação, insuficiência de esforços e o fato das tarefas serem subestimadas em sua magnitude e complexidade”.

As lições aprendidas nas últimas décadas deixam claro que conseguir a alfabetização universal requer uma vontade política renovada para pensar e fazer as coisas de maneira diferente em todos os níveis: local, nacional e internacional.

Métodos de alfabetização na América Latina

No Brasil, o educador Paulo Freire criou o método Psicosocial, baseado na alfabetização como um processo cultural. Esse mesmo método foi usado no Chile e Panamá. Argentina introduziu uma variável ao método Freire e hoje tem 3,1% de analfabetos; Colômbia usou um método similar e tem 8,2%.

Na República Dominicana, foi usado um sistema espanhol baseado no emprego dos meios de comunicação. Da população dominicana, 17% não ler nem escreve. Equador aplicou uma técnica de jogos e simulações, criado em uma universidade dos Estados Unidos. Atualmente, 10% dos equatorianos ainda não aprenderam a ler. Em todas as variáveis do método psicosocial, partia-se do ensino através da memorização de palavras familiares e sua desintegração em sílabas e letras.

O método de Palavras Normais foi usado na Venezuela com diversos matizes, mas sem resultados otimizados. Desse método deriva-se o chamado “Cartilha Venceremos”, aplicado em Cuba em 1961, que reduziu o analfabetismo de 23.6% para 3% em apenas um ano. O “Cartilha Venceremos”, depois foi enriquecido com elementos audiovisuais. Como elemento fundamental destaca-se a participação massiva do voluntariado, utilizando em sua realização os centros de trabalho, fábricas, granjas, cooperativas, sindicatos e escolas noturnas. Os outros métodos, ao contrário, apoiaram-se mais em funcionários públicos ou em pessoas contratadas para tal fim. O método cubano centrou-se na qualificação para o trabalho e na aprendizagem de tecnologias, objetivo principal da Unesco para o decênio 2003-2013.

Vale ressaltar, que dos países mencionados, Cuba é o que tem a renda per capta mais baixa, no entanto, seus indicadores de educação são similares aos dos países desenvolvidos, como demonstram as estatísticas da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) e PNUD. A Venezuela agora começou a implantar o “plano Robinsón” que é uma continuação do método cubano.

(Agência Brasil com informações são da Adital)

* Com informações da Unesco, Fórum de Educação para Todos da Venezuela e ONU