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O cardeal brasileiro dom Cláudio
Hummes: comunção no conclave.

Rio – O cardeal brasileiro Cláudio Hummes disse ontem para jornalistas no Vaticano que, entre as mudanças que o papa Bento XVI fará, está a de dar maior colegialidade e mais poder aos bispos. O arcebispo de São Paulo disse também que a igreja não é uma democracia, ?mas uma comunhão? e que todos os cardeais estão em acordo.

Apesar do voto de silêncio dos cardeais, algumas revelações estão sendo feitas sobre o conclave. De acordo com os jornais italianos, o nome de Joseph Ratzinger, que foi eleito com mais de cem votos, não foi o primeiro a surgir nas votações. Na primeira votação, porém, que terminou em fumaça negra, Ratzinger teria recebido menos votos do que o cardeal italiano Carlo Maria Martini. Os vaticanistas de maior credibilidade na Itália dão a mesma versão: Martini não teria aceitado ficar como candidato e teria convencido o seu grupo a apoiar Ratzinger, se o cardeal alemão se comprometesse a fazer algumas reformas previstas no Concílio Vaticano Segundo. Firmado o acordo, o papa Ratzinger teria recebido votos até dos cardeais alemães, que eram opositores a sua candidatura. O cardeal Carlo Maria Martini está doente e, segundo os vaticanistas, não poderia assumir um pontificado. Martini estaria também muito preocupado com a imagem de divisão que a igreja estava passando dias antes do conclave.

Depois de eleito Bento XVI, muitos cardeais têm afirmado que o novo papa fará reformas na igreja. Ontem, o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, deu uma entrevista a jornalistas estrangeiros. Quando alguém perguntou qual reforma prevista no Concílio o papa Bento XVI fará, ele respondeu, entre outras, dar maior colegialidade, mais poder aos bispos. Prometeu seguir com força os passos do Concílio, que foi convocado em 1962 por João XXIII. Para os vaticanistas italianos estaria claro. Durante o conclave houve um pacto entre os cardeais. Segundo Alceste Santini, Ratzinger teria sido eleito porque prometeu fazer as reformas desejadas pelo cardeal Carlo Maria Martini e pelo grupo que o apoiava. Os cardeais estão sob juramento e não podem revelar o que se passou no conclave, mas segundo os vaticanistas, algumas indiscrições foram feitas. Joseph Ratzinger teria sido eleito com mais de 100 votos.

Aparecida

Domingo, dia da posse oficial do Papa Bento XVI, o arcebispo de Aparecida, no interior do estado de São Paulo vai celebrar duas missas especiais, a primeira às 6h e outra às 18h. A estimativa é que a Basílica de Aparecida receba cerca de 100 mil turistas durante o final de semana.

Segundo informações do santuário, somente na missa das 9h de ontem, 15 mil pessoas estiveram presentes. A previsão é que durante o dia, cerca de 20 mil pessoas participariam das celebrações.

Representante

O ministro Patrus Ananias foi designado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para representá-lo na missa de coroação do papa Bento XVI, domingo.