Belém – O Instituto Médico-Legal divulgou ontem o resultado dos exames feitos no revólver calibre 38, encontrado na fazenda de Vitalmiro Moura, o Bida, foragido acusado de ser o mandante do assassinato da americana Dorothy Stang. O laudo comprovou que a arma periciada foi a utilizada para matar a missionária. Nas últimas semanas, os quatro projéteis encontrados no corpo de Stang passaram por exames minuciosos. De início, havia a hipótese de que duas armas tivessem sido utilizadas no crime. Mas o exame de balística confirma que só o revólver calibre 38 periciado foi usado para assassinar a missionária.

O laudo será encaminhado amanhã aos delegados que estão no comando das investigações do caso. Na segunda-feira, o Ministério Público do Pará denunciou os quatro envolvidos no assassinato da missionária americana, no dia 12 de fevereiro, em Anapu. Os quatro são acusados de homicídio qualificado, com diversos agravantes. A denúncia foi oferecida pelo promotor de Pacajá, Lauro Freitas, ao juiz titular da Vara de Justiça do município, Lucas do Carmo Jesus. A ação já foi instaurada e o promotor Sávio Rui Brabo de Araújo, coordena o trabalho da Promotoria. Ele reuniu os dois inquéritos – um da Polícia Civil e o outro da Polícia Federal – e enviou à Justiça. Os promotores denunciam o fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura de ser o mandante. Amair Feijoli, o Tato, foi denunciado como intermediário. Rayfran Neves Salles, o Fogoió, é acusado de ser o autor dos disparos e Clodoaldo Batista, conhecido por Eduardo, foi denunciado como cúmplice. Clodoaldo estava ao lado da missionária quando Rayfran disparou os seis tiros para matá-la. Na ação, Rayfran é denunciado como autor e os outros três como co-autores. Se condenados, podem pegar de 12 a 30 anos de cadeia. Por se tratar de crime hediondo, eles não terão direito de responder ao processo em liberdade. E, após a sentença, também não vão ter direito a anistia, indulto, fiança ou liberdade provisória. Os quatro terão que cumprir suas penas em regime fechado.