Destino de muitos afilhados políticos, os cargos comissionados no Executivo, os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior), ficaram mais atraentes. Na segunda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, por meio de medida provisória, reajuste geral nos salários dos 21.563 servidores que ocupam os DAS. Os porcentuais de aumento variam de 30,5% a 139,7% e são retroativos a 1º de junho. O reajuste irritou os servidores federais que estão em greve com reivindicações salariais.

A notícia do reajuste, de acordo com servidores do Incra, um dos órgãos parados, deverá prolongar a paralisação. Os grevistas acusam o governo de usar dois pesos e duas medidas: de um lado alega falta de dinheiro em caixa para atender os concursados; e do outro assina MP com reajustes para os comissionados.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o impacto do reajuste nos cofres públicos será de R$ 277 milhões de junho a dezembro deste ano. Em 2008, a despesa será de R$ 475 6 milhões. ?O impacto (neste ano) já está previsto desde a aprovação do projeto orçamentário?, afirmou. Segundo Bernardo, é o primeiro reajuste dado a esses cargos desde junho de 2002 e o primeiro reescalonamento da tabela desde 1998. O governo argumentou que era preciso aproximar as remunerações pagas dentro da própria tabela e também os salários do serviço público aos pagos pela iniciativa privada, para evitar a saída de profissionais.

Bernardo justificou o aumento afirmando que havia ?injustiça? em algumas faixas, como na DAS-3, que recebeu reajuste de 139,7%, o maior de todos. Nesses cargos, onde estão técnicos e chefes de divisões administrativas, a remuneração mensal era de pouco mais de R$ 1,5 mil e passou para R$ 3,7 mil. Há 3,5 mil servidores. ?Era preciso fazer uma readequação?, disse.