Aureliano Chaves foi último vice-presidente
do regime militar.

Belo Horizonte -Morreu ontem em Belo Horizonte o ex-vice-presidente da República Aureliano Chaves, de 74 anos. Político, engenheiro e professor, Antônio Aureliano Chaves de Mendonça nasceu em Três Pontas, Minas Gerais, em 13 de janeiro de 1929. Filho do dentista José Vieira de Mendonça e de Luzia Chaves de Mendonça, casou-se com Minervina Sanches de Mendonça, com quem teve três filhos. Dona Vivi, como era conhecida, morreu em outubro de 2002, em decorrência de complicações de uma úlcera no estômago. Aureliano ingressou na política em 1958, elegendo-se suplente de deputado estadual pela UDN. Foi efetivado em 1961, na vaga de Gil Vilela, mas permaneceu no Legislativo por pouco tempo: teve que renunciar ao mandato em outubro de 1962 para integrar a diretoria da Eletrobrás.

Eleito deputado estadual na legislatura seguinte, integrou a linha ortodoxa do partido, conhecida como “Banda de Música”, ao lado de Carlos Lacerda, Afonso Arinos e Pedro Aleixo. Em 1964, assumiu a secretaria de Educação de Minas no governo de José Magalhães Pinto e esteve entre os políticos que participaram do centro de articulação do movimento que depôs o Presidente Goulart, em 1964. Após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional n.º 2 (AI-2), em outubro de 1965, Aureliano se filiou à recém-criada Arena, pela qual se elegeu deputado federal em 1966. Dois anos depois, votou contra o pedido de licença de governo para processar o deputado Márcio Moreira Alves (MDB-Guanabara), autor de um discurso considerado ofensivo às Forças Armadas.

Em 1970 reelegeu-se deputado federal e, em fins de 1974, foi nomeado governador de Minas Gerais pelo presidente Ernesto Geisel, provocando o afastamento de Magalhães Pinto, então senador. Aureliano apoiou o presidente Geisel, em 1977, na crise provocada pelo então ministro do Exército, Sílvio Frota, demitido por tentar forçar sua própria candidatura à Presidência da República. No ano seguinte, foi escolhido vice-presidente do general João Baptista de Figueiredo.

Infarto

O maior período em que ocupou a Presidência foi de 49 dias, em 1981, quando Figueiredo sofreu um infarto. Como interino, tomou decisões controvertidas, quando por exemplo se recusou a assinar o ato de expulsão dos padres franceses Aristides Camio e François Gouriou, irritando a ala mais radical das Forças Armadas. Os padres defendiam a ocupação de terras pelos posseiros em São Geraldo do Araguaia, no Pará. Os padres não foram expulsos, mas tiveram que cumprir pena de dois anos.

Com a abertura política, filiou-se ao PDS. Em 1984, depois de ajudar a derrubar a emenda das Diretas-Já e ver fracassada a intenção de suceder o presidente João Figueiredo, compôs a Frente Liberal com o ex-presidente José Sarney e com Marco Maciel, caciques dissidentes do PDS. Esse movimento permitiu a formação da Aliança Democrática, que viabilizaria a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

O apoio a Tancredo rendeu-lhe o cargo de ministro de Minas e Energia. No ano seguinte, na primeira eleição direta da presidente da República, foi o candidato do PFL. O partido o abandonou e boa parte aderiu a Fernando Collor de Mello. No ano passado, Aureliano apoiou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, ajudando na aproximação entre o petista e os militares.