O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
dividiu microfone com Jutahy Magalhães
Júnior, líder do PSDB na Câmara.

Brasília

– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez seu mea-culpa ontem, durante almoço com a bancada tucana na Câmara. Saudado pelo líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), com um sonoro “bem-vindo ao campo das reformas”, Lula disse que não se sente “encabulado” quando alguém o provoca pelo fato de o PT ter votado contra as mudanças constitucionais durante o governo Fernando Henrique e justificou a demora em aderir à tese: “Nem todo mundo dorme e acorda na mesma hora.”

Mas o presidente também devolveu as críticas, afirmando que a batalha das reformas é uma luta do País e que está tentando fazer o que o governo Fernando Henrique não conseguiu completar. Segundo o relato de parlamentares que participaram do encontro, realizado na residência oficial do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), Lula criticou os tucanos, ao dizer que está discutindo as propostas de reforma com todos os partidos de oposição, depois de ter aprendido muito com o que considerou “erros” cometidos pelo PSDB no governo.

Único tucano a discursar, o líder Jutahy reafirmou a atitude positiva de seu partido em relação às reformas, mas deixou claro que cada ponto das propostas do governo será examinado tecnicamente pelo PSDB, “para que prevaleça o interesse do povo brasileiro”. Diante de seu ministro da Casa Civil, José Dirceu, Lula respondeu aos tucanos que não haverá “cerceamento” a nenhum parlamentar por pertencer a um partido de oposição. “Acho que é direito da oposição criticar, desde que não seja de forma leviana”, disse o presidente, segundo relato dos presentes.

Para o presidente, a oposição não é inimiga do governo e presta serviços ao País. “Faço questão de dialogar com todos os que participam da vida pública brasileira e vou tratar todos em igualdade de condições, assim como trato qualquer cidadão.” E lembrou que, se por um lado quatro anos demoram a passar para quem está no campo adversário, o tempo passam rápido para quem é governo e tem tanto a realizar.

Seguindo a mesma linha de seu discurso aos peemedebistas da Câmara e do Senado dois dias antes, Lula repetiu aos tucanos que não está preocupado consigo e sim com as reformas. Citou especialmente a da Previdência, que segundo ele só produzirá efeitos em cinco a dez anos, mas desde já indispõe o presidente com setores da sociedade que tradicionalmente votam nele. E elogiou a reforma previdenciária promovida na Inglaterra por Margaret Tatcher, que só começou a produzir resultados positivos 20 anos depois.