Aparecida, SP – Pobreza, desigualdade, migração, família e opção preferencial pelos pobres são os pontos que, após cinco dias de reunião, começaram a se delinear como os principais temas que serão discutidos a fundo a partir de segunda-feira e que, provavelmente, marcarão o documento final da 5.ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe em Aparecida, a 170 quilômetros de São Paulo.

Os bispos estão chegando a um consenso sobre uma pauta prioritária, depois de cotejar com a orientação deixada por Bento XVI os relatos feitos pelos presidentes das 22 conferências nacionais representadas em Aparecida. Se a palavra do papa não será uma camisa-de-força, como observou o cardeal Francisco Javier Errázuris Ossa, um dos três presidentes da conferência, ela será roteiro obrigatório para as conclusões.

O crescimento dos grupos evangélicos, que todos os textos insistem em chamar de seitas, é outro item que, com certeza, terá espaço no plenário. A começar por Bento XVI, que se referiu a essa questão mais de uma vez, vários bispos se mostraram preocupados com a evasão de fiéis batizados para outras religiões e o aumento do número de pessoas que declaram não ter religião.

Ao tratar da família, o episcopado latino-americano estende sua preocupação à defesa da vida ?desde o momento da concepção até seu fim natural?, o que significa, numa só frase, a condenação do aborto e da eutanásia, temas que o papa também sublinhou em sua visita ao Brasil.

Sob a vigilância atenta do presidente do Pontifício Conselho para a Família, cardeal Alfonso López Trujillo, os bispos deverão discutir o problema dentro dos limites impostos pelo Vaticano.

Em outros pontos, a Conferência de Aparecida buscará saídas e possíveis avanços, a partir justamente da orientação do papa. É o caso da discussão sobre o ministério ordenado ou novas formas para o exercício do sacerdócio, outra questão em destaque no plenário.