Durante a primeira convenção do partido que tenta fundar, a Aliança pelo Brasil, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou para traçar diretrizes pra nova sigla, comentar sobre políticas que pretende implementar em seu governo e também para rebater seu principal rival político, o ex-presidente Lula.

A maioria dos parlamentares do PSL, que pretendem migrar para a nova sigla, ocupava as primeiras fileiras do auditório de um hotel de luxo de Brasília. Não faltaram apoio e críticas da plateia a parlamentares vistos pelos bolsonaristas como “traidores”, como o deputado federal por São Paulo Alexandre Frota, agora no PSDB. Aos apoiadores, o presidente Bolsonaro disse que críticas ao governo são bem-vindas, mas pediu comedimento. “Vamos fazer críticas, mas moderadas”, disse.

O mandatário também aproveitou para alfinetar Lula, que na última semana declarou que “não aguenta mais um jovem ser morto porque roubou um celular”. Em resposta, Bolsonaro afirmou que “ladrão de celular tem que ir pro pau”.

Regras claras

As falas do presidente deixam bem explícito o que seus correligionários devem fazer na nova legenda. “A gente vai cumprir realmente o que está no estatuto, respeitar a legislação. O partido tem que estar, no meu entender, voltado para as suas atribuições legais. É fiscalizar Executivo, apresentar projetos, legislar”, finalizou o presidente.

https://twitter.com/OficialAlianca/status/1194441042034069517

Deus, armas e o anti-comunismo

A advogada Karina Kufa fez a leitura dos princípios do partido. “O povo deu norte da nova representação política. Em 2019, novo passo precisa ser dado. Criar partido que dê voz ao povo brasileiro”, afirmou.

Karina afirmou que o partido é conservador, comprometido com a liberdade e ordem, soberanista e de oposição às “falsas promessas do globalismo”.

O programa tem os seguintes princípios:

– Respeito a Deus e à religião

– Respeito à memória e à cultura do povo brasileiro

– Defesa da vida

– Garantia de ordem e da segurança

O programa afirma que o partido “reconhece o lugar de Deus na vida, na história e na alma do povo brasileiro”. Há ainda defesa da posse de armas. Karina disse que o partido “se esforçará para divulgar verdades sobre crimes do movimento revolucionário, como comunismo, globalismo e nazifascismo”.

Ainda segundo a advogada, o partido estabelecerá relações com siglas e entidades de países que “venceram o comunismo”, como os do Leste Europeu. “O Aliança pelo Brasil repudia o socialismo e o comunismo”, disse Karina.

Alguns não conseguiram lugar nas primeiras cadeiras porque chegaram mais tarde. Outros quase não conseguiram entrar. Havia ainda dezenas de apoiadores ao lado de fora do auditório, por causa da lotação. Apenas poucos jornalistas tiveram acesso ao auditório principal.

Nossa cartilha

Em seu discurso, Bolsonaro disse querer uma nova legenda “que reze nossa cartilha”. As falas de Bolsonaro foram feitas a uma plateia inflamada, com seus partidários participando aos gritos.

Abertura

Para o presidente, o Brasil ainda é “um dos países mais fechados para fazer negócios do mundo”. Ele se comprometeu com uma abertura comercial, que seja capaz de mudar esse cenário.”Ouso dizer que ainda beiramos o socialismo para negócios no mundo”, disse.

Foto: Rodrigo Cunha/Tribuna do Paraná.
Foto: Rodrigo Cunha/Tribuna do Paraná.

Ferrovia

Bolsonaro também mencionou dificuldades de infraestrutura que afetam o país e deixou aberta a possibilidade de investir em ferrovias para aliviar a carga de transporte nas estradas. “Vamos integrar o Brasil pelo modal ferroviário”, disse.

Excludente de ilicitude

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o conceito de excludente de ilicitude e disse que enviou projeto de lei para tratar do assunto ao Congresso. O projeto, cuja mensagem de envio ao Legislativo foi publicada hoje, beneficia militares e agentes de segurança pública para que possam agir sem ter de responder criminalmente em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Bolsonaro disse que agora “cabe ao Parlamento” a análise do projeto, que chamou de marco importante na luta contra a criminalidade no Brasil.

De acordo com a mensagem do projeto, o PL enviado ao Congresso “estabelece normas aplicáveis aos militares em operações de Garantia da Lei e da Ordem e aos integrantes dos órgãos a que se refere o caput do art. 144 da Constituição e da Força Nacional de Segurança Pública, quando em apoio a operações de Garantia da Lei e da Ordem”. Os órgãos listados pelo artigo 144 da Constituição são Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpos de Bombeiros Militares.

Eleições 2020

O presidente salientou que não entrará nas eleições municipais em 2020 se a criação do partido não for aprovada até março. “Se for possível a (coleta de assinaturas para criação da legenda) eletrônica, a gente forma um partido para março. Se não for possível, eu não vou entrar em disputas municipais no ano que vem, estou fora”, disse o presidente.

Crítico do voto eletrônico, Bolsonaro questionou: “Estamos aguardando decisão do TSE se pode a coleta de assinatura eletrônica. O voto pode, assinatura não pode?”

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