O presidente Jair Bolsonaro discursou no início da tarde desta terça-feira (22) na abertura oficial do Fórum Econômico Mundial, no vilarejo de Davos, na Suíça. A um público formado por investidores, banqueiros e autoridades, ele prometeu reformas econômicas, privatizações, investimento em segurança, braços abertos para visitantes e investidores e relações internacionais sem “viés ideológico”.

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O discurso e a conversa com o fundador do Fórum, Klaus Schwab, estavam programados para durar 30 minutos ao todo. Mas Bolsonaro falou por oito minutos e a sessão inteira durou 15. De forma geral, ele disse o que o público queria ouvir, mas sem se aprofundar. Não entrou em detalhes nem mesmo quando questionado por Schwab sobre ações específicas que pretende executar nos próximos meses.

Suas declarações foram muito semelhantes às que deu em outros eventos desde que assumiu a Presidência, mas desta vez evitando maiores polêmicas e dando alguma ênfase a temas de interesse direto dos participantes do fórum, como a abertura da economia brasileira ao comércio exterior e medidas para facilitar os negócios no país. Disse que planeja compatibilizar preservação ambiental com desenvolvimento econômico, mas, na defensiva, afirmou que os setores que criticam o país nesse aspecto têm “muito o que aprender conosco”.

No discurso que leu, o presidente não citou a reforma da Previdência, que é motivo de divergências frequentes entre os núcleos do governo. O próprio Bolsonaro prefere mudanças mais suaves – e, portanto, de menos impacto sobre as contas públicas – que as planejadas por sua equipe econômica. Só mencionou a mudança nas regras de aposentadoria mais tarde, na conversa com Schwab, junto com a reforma tributária e a redução do tamanho do Estado.

‘Deus acima de tudo’

Embora tenha focado sua fala na economia, Bolsonaro também repetiu promessas de campanha relacionadas a costumes e segurança pública, como o que chama de defesa da família e dos “verdadeiros direitos humanos” e a proteção do direito à vida e à propriedade privada. Nessa linha, finalizou o discurso dizendo ter adotado o lema “Deus acima de tudo” – muito semelhante ao slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, apregoado desde as eleições.

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O presidente começou seu discurso relembrando a campanha eleitoral, na qual disse ter gasto menos de US$ 1 milhão, com oito segundos de tempo de televisão e “sendo injustamente atacado a todo tempo”. Afirmou que assumiu um país em “profunda crise ética, moral e econômica”, e que tem o compromisso de mudar essa história. “Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.”

Disse que “pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados” e que nesse processo não aceitou “ingerências político-partidárias”. Ao longo do discurso, prestigiou três de seus escolhidos para o primeiro escalão.

Mencionou primeiro o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que definiu como “o homem certo” para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. “Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo”, disse.

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Também falou do ministro da Economia, Paulo Guedes, que segundo o presidente “nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios” – atualmente o país ocupa a 109ª posição no ranking “Doing Business”, elaborado todos os anos pelo Banco Mundial.

“Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos. Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas”, disse Bolsonaro.

O terceiro ministro citado no discurso foi Ernesto Araújo, das Relações Internacionais, que segundo Bolsonaro implementará “uma política na qual o viés ideológico deixará de existir”.

Perguntas e respostas

Após o discurso, Bolsonaro respondeu a algumas perguntas elaboradas pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em que aproveitou para reforçar alguns pontos abordados em seu discurso.

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Questionado sobre os passos práticos que dará para transformar a economia brasileira, o presidente falou na redução do tamanho do Estado, nas reformas da Previdência e tributária e em “tirar o peso de cima de quem produz”. Assim como em seu discurso, Bolsonaro bateu na tecla da melhoria de educação – sem nenhum viés ideológico, segundo ele – como forma de diminuição de pobreza e desigualdade.

Schwab então perguntou qual seria o plano de enfrentamento à corrupção de Bolsonaro. O presidente citou o ex-juiz Sergio Moro, “um homem conhecido por muitos de vocês”, como a pessoa escolhida para tocar essa missão. “Ele tem todos os meios para seguir o dinheiro no combate à corrupção e crime organizado”, disse.

O capitão ainda mencionou que isso será feito mudando e aperfeiçoando a legislação e destacou a equipe de ministros que foi escolhida com base em critérios técnicos, e não em indicações político-partidárias. Essa parte do discurso engrossa o coro que já havia sido dito por Sergio Moro em painel nesta terça. Nem o presidente nem o juiz falaram sobre o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente Flávio Bolsonaro, que é investigado por movimentações financeiras atípicas.

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Bolsonaro aproveitou a parte de entrevista para falar sobre o meio ambiente, reforçando que o Brasil está sintonizado com o restante do mundo na redução de emissões e preservação e tratou da América Latina. Mencionou que já conversou com o presidente da Argentina, Maurício Macri, além de outros líderes de países da região, sempre em conversas bilaterais. Ele aproveitou para dizer que “a esquerda não prevalecerá nesta região”, o que ele considera bom para a América Latina e também para o restante do mundo.

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