Florianópolis (AE) – Com a ajuda de dois cães farejadores, 60 homens do Corpo de Bombeiros trabalham sem interrupção para resgatar a última vítima do prédio que desabou em Içara, 190 km ao sul de Florianópolis, na manhã de quarta-feira. Três pessoas morreram e dez ficaram feridas.

Como existe a ameaça de ruir a parte superior do edifício, ontem começaram a demolição para chegar a Nivaldo Fernandes, a presumida última vítima. Haveria outro homem chamado João, mas a empresa de quem seria empregado negou a existência de qualquer funcionário com esse nome.

O prédio, de construção recente, tinha três pavimentos, mais uma garagem no subsolo. Os técnicos ainda não puderam avaliar as causas do desabamento. Aparentemente, houve colapso da estrutura inferior da edificação, que cedeu e permitiu que o primeiro e o segundo andar caíssem. Na ocasião, havia 10 funcionários e alguns clientes no térreo, na agência dos Correios.

Foram enterrados ontem Nádia Borges, de 39 anos Pedra Borges de Souza, de 57 anos, e o gerente da agência, Mário de Ávila, de 49 anos, que morreram sob os escombros.

Um dos sobreviventes, o funcionário da Câmara de Vereadores Ladair Colle, sofreu uma cirurgia no quadril e passa bem. ?Foi num piscar de olhos. Quando percebi estava prensado entre duas lajes. Até os soldados do Corpo de Bombeiros me encontrarem eu fiquei apreensivo, ninguém me escutava, fiquei fazendo barulho naquelas caixinhas amarelas. Uma ficou encostada em mim e com um pedaço de ferro consegui ficar batendo até que eles me encontraram. Já estava me faltando ar e o cheiro de gasolina era muito forte?, contou.

A Polícia Civil de Içara abriu um inquérito para apurar as causas do desabamento. O inspetor-chefe do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), em Criciúma, Claudino Neto, disse que vai mandar uma equipe para fazer um levantamento fotográfico e um relatório técnico. Segundo ele, várias hipóteses podem ser levantadas, como problemas na fundação e no estaqueamento da obra e erros de cálculo nas sondagens do terreno.