Brasília – A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), embora já seja considerada defasada, é de que cada hospital deve ter no mínimo 4% dos leitos dedicados a Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Esse percentual não é atendido na maioria dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), José Maria da Costa Orlando.

Ele diz que há estados como São Paulo em que o percentual já supera os 5% dos leitos hospitalares dedicados às UTIs, mas ainda são poucos. No âmbito particular, segundo Orlando, essa porcentagem pode chegar a 35%.

O presidente da Amib diz que atualmente a experiência mundial aponta que um hospital geral de complexidade secundária deveria ter pelo menos de 7% a 10% de leitos de UTI em relação ao número total de leitos. Ele explica que a meta de 4% determinada pela OMS é da década de 80, quando a demanda por UTIs era menor.

Como fatores para o crescimento pela procura de UTIs, Orlando cita o aumento do número da população idosa, a violência urbana, a complexidade das cirurgias e o a realização de mais transplantes. ?Houve naturalmente um enorme crescimento das necessidades de leitos de UTIs, que não podem mais ser contemplados por uma porcentagem de 4%. A tendência mundial é o crescimento cada vez maior da UTIs?.

Outro ponto importante que deve ser observado, na avaliação de Orlando, é a sobrecarga na demanda das UTIs no Brasil. Segundo eles, há unidades públicas cuja taxa de ocupação média anual gira em torno de 90%, enquanto a taxa recomendada é de 80%. ?Uma UTI precisa ter fôlego suficiente para poder trabalhar com segurança, fazer os procedimentos de desinfecção que têm que ser feitos, os equipamentos têm que passar por manutenções preventivas?, diz.

Uma das alternativas para resolver a demanda por UTIs no país, segundo Orlando, seria a abertura de unidades intermediárias, que poderiam absorver os pacientes depois de sua passagem pelas Unidades de Terapia Intensiva. Isso, segundo ele, ajudaria a desafogar a demanda das UTIs, porque os médicos teriam mais segurança em dar alta a um paciente sabendo que ele estaria melhor tratado que em uma enfermaria, por exemplo.

?Se o médico fica preocupado em dar alta para um paciente que melhorou, mas sabe que ele vai para uma enfermaria e lá as condições não são as melhores, ele acaba segurando o paciente internado na UTI, que fica com uma taxa de ocupação muito alta e acaba dificultando a absorção de outros pacientes?, explica.

A opção por unidades semi-intensivas acaba sendo dificultada porque, segundo do presidente da Amib, não há previsão de remuneração para essas unidades no âmbito do SUS. Segundo ele, se um hospital do SUS resolve, por conta própria, criar essa situação de apoio, ele será remunerado como se fosse uma enfermaria convencional. ?Não há estímulo nenhum para que os hospitais públicos ligados ao SUS criem unidades semi-intensiva?, critica.

Outra alternativa apresentada pela Amib é a compra de vagas em UTIs da rede privada. Para isso, segundo Orlando, é preciso rever a tabela de remuneração do SUS para Unidades de Terapia Intensiva, que, segundo ele, está muito defasada.