Rio

O coordenador-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Carlos Lopes, traçou ontem panorama dramático sobre as conseqüências da proliferação das armas de fogo no Brasil. Segundo o representante da ONU, com apenas 2,8% da população mundial, o País responde por 11% dos homicídios ocorridos no mundo. De acordo com dados reunidos por ele, só em 2002, 40 mil pessoas foram assassinadas no País.

Os números foram levantados para a apresentação dele na abertura do Seminário Internacional de Armas, no Rio, que contou com a presença da governadora Rosinha Matheus (PMDB) e do secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho. O coordenador do PNUD chegou às conclusões a partir de pesquisas da própria ONU e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) cruzadas com informações de órgãos brasileiros como o IBGE e a Secretaria Nacional de Segurança Pública, além do relatório do PNUD publicado na semana passada com informações sobre o sistema legal, carcerário e judiciário da América Latina. No entanto, ele não estabeleceu comparações precisas com outros países.

Advertência

“Num país que está em paz, é difícil conceber que haja tantas mortes resultantes do uso indevido das armas de fogo. Esse número é maior do que o de mortos na guerra do Iraque e está aumentando”, advertiu Lopes, que estima em R$ 70 bilhões anuais o gasto do Brasil com segurança privada. O que ele chamou de “indústria do medo”, consome 10% do PIB do Brasil e 8% da riqueza produzida no Estado do Rio. “Isso significa que muitos investimentos sociais deixam de ser feitos para cuidar de segurança”, afirmou.

Gratificação

A governadora Rosinha Matheus aproveitou o seminário para anunciar que pretende criar gratificação para policiais que apreenderem armas de fogo. O valor seria proporcional ao tipo de armamento. O governo também vai premiar cidadãos que entregarem suas armas à polícia.