Brasília (AE) – O advogado Rogério Buratti reforçou ontem as suspeitas sobre o envolvimento no esquema de extorsão da multinacional Gtech, ao depor durante três horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos. Os senadores afirmam acreditar que Buratti mentiu, entre outras coisas, ao dizer que não conhece o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz, e ao afirmar que foi convidado pela Gtech para atuar como lobista na renovação do contrato da empresa com a Caixa Econômica Federal (CEF), em troca de vencimentos que poderiam ir de

R$ 500 mil a R$ 10 milhões. O advogado disse ter sido apresentado ao pessoal da Gtech pelo advogado Enrico Gianelli, do escritório Fischer&Foster, que atendia à multinacional. ?Foi uma mentira do começo ao fim?, afirmou o relator Garibaldi Alves (PMDB-RN).

O contrato da Gtech com a Caixa, no valor de US$ 100 milhões anuais, foi renovado por 25 meses em 8 de abril de 2003 e prorrogado por mais um ano em maio de 2005. Buratti será chamado para uma acareação com o diretor de Marketing da Gtech, Marcelo Rovai, que, na quinta-feira, quando depôs à CPI, acusou-o de cobrar propina de R$ 6 milhões para intermediar a renovação do contrato. A denúncia foi endossada, no mesmo dia, pelo ex-presidente da empresa Carlos Rocha.

O advogado afirmou que Rovai e Rocha citaram o nome dele como ?bode expiatório? de algum esquema que ele não sabe qual é. ?Precisavam de um bode expiatório e acharam um bodão em mim?, alegou.

O senador Geraldo Mesquita (PSOL-AC) disse não acreditar na falta de entrosamento entre Buratti e Diniz, tendo em vista que eles estão ligados ao deputado José Dirceu (PT-SP), como amigos e auxiliares ?muito próximos?. ?Ambos os srs. atuaram na campanha de José Dirceu e agora dizem que não se conhecem??, questionou Mesquita. O advogado também trabalhou com o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e, em 2002, e 2003 foi secretário de Governo da Prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na gestão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Buratti disse que o contato com Palocci, desde então, tem sido o de, ?relações sociais naturais e casual?. O advogado culpou a imprensa da cidade pelas denúncias do envolvimento no esquema de coleta de lixo e de fraude nas licitações das administrações municipais.