O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes partidários decidiram retomar a votação da reforma política amanhã, mesmo sem acordo em torno do conteúdo do projeto. Para isso, será necessário votar nesta terça-feira (7) uma medida provisória que tranca a pauta do plenário. O líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio (SP), contrário ao projeto que está em votação, afirmou que será necessário votar porque a proposta já começou a ser apreciada e está na pauta.

O líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), prevê que o grande debate de amanhã será entre os que vão tentar salvar algum ponto da reforma política e os que são contrários à proposta. "Temos o projeto pendurado na pauta. É preciso salvar algum pedacinho ou mandar tudo para o arquivo", afirmou o líder petista. Os pontos que deverão ser votados são o que prevê o financiamento de campanha público, exclusivo para as eleições majoritárias (presidente, governador, prefeito e senador) e limites para o financiamento privado nas eleições proporcionais (deputados federais e estaduais e vereadores). Além disso, será discutido o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais com a criação das federações de partido. Também estará na pauta o projeto que trata de fidelidade partidária, alterando a lei que trata da inelegibilidade.

A tensão maior na reunião é quanto às decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o mandato pertence ao partido político. Há um clima de tensão principalmente nas bancadas que incharam com troca-troca partidário. A discussão na reunião com os líderes foi quanto ao fato de o Tribunal estar decidindo questões que deveriam ser tratadas no Legislativo. "É um erro achar que esta tensão está só na Câmara", afirmou o líder do PT, citando as Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais e Prefeituras, nas quais também houve muita troca partidária. O deputado João Almeida (PSDB-BA) afirmou que o TSE só está respondendo porque o Legislativo não resolve a questão. "Nós não sabemos o que estamos querendo e o Tribunal só responde porque está sendo provocado por perguntas dos partidos políticos", disse. "Não se resolve o problema culpando o Tribunal quando o problema está aqui", completou o tucano.