O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, deverão ser chamados, nesta semana, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados para explicar a deportação de brasileiros em viagem à Europa.

A convocação do embaixador, vedada pelo regimento interno da Casa, será mediada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que defendeu na semana passada que o embaixador explicasse os incidentes com brasileiros na Espanha. Porém, para não prejudicar as relações diplomáticas entre os dois países, Chinaglia pretende consultar Amorim antes de decidir se convidará Peidró.

A comissão quer ouvir ainda o testemunho de brasileiros que foram barrados no aeroporto de Madrid e, em seguida, deportados. Na semana passada, os deputados já aprovaram a convocação de Patrícia Camargo Magalhães, 23, mestranda de física da Universidade de São Paulo (USP), proibida de entrar na Espanha. Na segunda, os integrantes da comissão vão discutir se chamam outros brasileiros que integravam o grupo de 30 pessoas barradas na Espanha na última quarta-feira.

"Fora o problema de ter barrado os brasileiros, tem o problema do preconceito, dos maus tratos contra os brasileiros", critica o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), um dos autores do requerimento para chamar Amorim e Peidró.

De acordo com o embaixador espanhol, em 2007, 3.137 brasileiros tiveram a entrada na Espanha negada. Os números, admite Peidró, são elevados em termos absolutos, mas ele nega que haja discriminação por parte das autoridades da Espanha. Em carta encaminhada à Comissão de Relações Exteriores do Senado, Peidró afirmou que Patrícia Magalhães "não foi admitida porque não portava documentação que justificasse o motivo e a viabilidade de sua viagem".

Além da situação dos brasileiros e das medidas diplomáticas que o governo adotou, Amorim terá de explicar também a deportação dos sete espanhóis que tentaram desembarcar no aeroporto de Salvador (BA) na semana passada. Os integrantes da comissão querem saber se o incidente foi corriqueiro ou se foi uma retaliação do governo brasileiro.

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, confirmou no final de semana que o Ministério da Justiça determinou um reforço na fiscalização sobre os espanhóis que chegam ao Brasil. De acordo com ele, a decisão não seria uma retaliação, mas a reciprocidade no tratamento dado aos brasileiros na Espanha.