Os números do Instituto Vox Populi divulgados hoje pelo Correio Braziliense são surpreendentes porque indicam uma mudança sem precedentes na disputa por uma vaga no segundo turno da corrida presidencial.

No período de oito dias contados da última pesquisa do instituto até o fechamento do levantamento de campo ocorrido ontem, diminuiu em 12 pontos porcentuais a diferença que separavam o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, da candidatura de José Serra, da Grande Aliança PSDB- PMDB.  

Em 18 de agosto, dois dias antes do início da campanha eletrônica na TV, Ciro aparecia com 32% das intenções de votos, em empate técnico, já no primeiro turno, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL), que tinha 35%.

A estratégia de ataque e desconstrução da candidatura Ciro, definida pelo marketing do tucano, derrubou Ciro em sete pontos porcentuais. E, mais importante para Serra: os eleitores que desistiram de Ciro aderiram a ele, e não a Lula, que caiu um ponto, para 34%, nem para Garotinho, que também perdeu um ponto (de 9% para 8%). Uma parte desse eleitorado foi, naturalmente, aumentar a grande massa de indecisos.

Mas o fato concreto é que a campanha eleitoral na TV está mudando o rumo da competição e que os estrategistas de Serra acertaram na tática de combate, derrubando o adversário e atraindo apoios para o tucano, que recuperou terreno, passando de 10% par 15% das intenções de voto. 

Os coordenadores da campanha de Serra diziam, ontem à noite, quando esses números ainda não eram conhecidos, que, se houvesse um movimento parecido com o apresentado pelo Vox Populi  a campanha se reforçaria e seria capaz de mobilizar, com entusiasmo, as bases do PMDB e do próprio PSDB, que andavam um pouco desanimadas com o desempenho do candidato nas pesquisas. Segundo eles, a estratégia de desconstrução da candidatura de Ciro vai continuar, até que se invertam as posições e Serra passe a segundo lugar, polarizando a disputa com Lula.