Os trabalhos em um dos canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte (oeste do Pará) foram retomados hoje, após paralisação motivada pela invasão de um grupo de índios ao local, em 21 de junho.

Com a saída dos índios na noite de ontem, funcionários da usina vistoriam a área e equipamentos que chegaram a ser apreendidos pelos manifestantes. Os cerca de 1.600 funcionários devem voltar ao ritmo normal de atividades somente amanhã.

O sítio Pimental, que ficou parado desde o último dia 5, corresponde à casa de força complementar da futura usina hidrelétrica.

Os impactos dessa paralisação ao cronograma da obra estão sendo calculados pelo CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte), mas ainda não há uma estimativa de prejuízos.

O objetivo da invasão dos índios foi exigir o cumprimento de contrapartidas previstas na obra.

De acordo com a Norte Energia, empresa responsável pela usina, o grupo que invadiu o canteiro era formado por ao menos cem índios das etnias arara, caiapó, juruna, paracanã e xicrin.

Os indígenas, cujas aldeias ficam na área de influência da obra, apresentaram uma lista ampla de reivindicações, que incluem compra de ônibus, construção de antena de telefonia celular, aulas para habilitação de motorista e pagamentos em dinheiro.

A Norte Energia reuniu-se na segunda-feira (9) e na terça-feira (10) com os índios para responder aos pedidos.

A empresa só se comprometeu com a realização de obras já previstas no PBA (Plano Básico Ambiental) indígena, como construção de postos de saúde e escolas.

Sobre os outros pedidos, a promessa da Norte Energia foi criar um comitê para o acompanhamento das contrapartidas.

A líder indígena Sheyla Juruna, que participou da invasão, disse que a Norte Energia prometeu a cada etnia que vai avaliar pedidos de compensações materiais.

Também ficou acertada a criação de um comitê para acompanhar a vazão do rio Xingu, que será diretamente afetado pelas obras.

Na semana passada, a Funai (Fundação Nacional do Índio) encaminhou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), responsável pelo licenciamento da obra, um ofício aprovando e recomendando o início da execução do PBA indígena, mesmo sem terem ocorrido ainda todas as reuniões previstas com as aldeias afetadas.