Brasília (AG) – Candidato à Presidência que mais cresceu na recente pesquisa de intenção de voto do Instituto Vox Populi, Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, pode virar o alvo dos outros, tirando o foco de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que continua liderando na preferência do eleitor. Mas Ciro está preparado para reagir em seus discursos. Em Sobral, no comício em que deu o pontapé de sua campanha de rua, mostrou o tom que vai adotar nos palanques, acusando o governo de desperdício e se rotulando como o único dos candidatos sem “rabo preso”.

Ciro vai usar a linguagem técnica para falar de economia para o público mais especializado, mas caprichar na linguagem popular e regional para se aproximar da população de baixa renda. Nos discursos iniciados ontem em Sobral, e que fará pelo país daqui até outubro, usou e abusou da linguagem popular para acusar o governo de jogar dinheiro fora. No Ceará, a expressão usada é “istuir” (desperdiçar). Outra? – Não tenho rabo de palha (não tenho rabo preso) – disse, acusando o candidato do PSDB, José Serra, de estar comprometido com o capital internacional. No discurso inaugural, Ciro também decidiu incluir críticas ao governo, como a queda da qualidade de ensino público. Também optando por um tom mais comovente, quer lembrar que estudou em escola pública em Sobral, cidade onde cresceu.

E sem deixar de dar uma alfinetada no comando nacional do PSDB, ressaltando sua aliança com o ex-governador tucano Tasso Jereissati: – O Ceará cresceu graças à nossa parceria, ao nosso projeto comum, liderado por Tasso – disse.

Outra arma de Ciro, nos palanques, será a presença da mulher, a atriz Patrícia Pillar, que já mostrou ser boa de discurso e dona de um enorme carisma. No Ceará, seu palanque será dividido com outra Patrícia, a ex-mulher e mãe de seus filhos, candidata ao Senado pelo PPS, que igualmente tem grande popularidade no estado.