O ministro da Saúde, Nelson Teich, esclareceu quinta-feira (23) que a cloroquina e a hidroxicloroquina ainda não podem ser consideradas recomendações do Ministério da Saúde no tratamento do coronavírus. Segundo o ministro, a recomendação só pode existir quando houver “uma evidência científica clara de que o medicamento funciona”.

Por enquanto, o ministério somente autoriza que os médicos receitem o medicamento aos pacientes segundo seus próprios critérios. “Permitir o uso a critério do médico não representa uma recomendação do Ministério da Saúde”, disse Teich.

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Pouco antes da declaração do ministro, também na quinta-feira (23), membros do Conselho Federal de Medicina (CFM) se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro e autorizaram o uso da cloroquina a critério dos médicos. O uso, segundo o CFM, seria em três situações, incluindo no início de sintomas sugestivos de covid-19 e em ambiente domiciliar.

Sem evidência científica

Entretanto, o presidente do CFM, Mauro Luiz Britto Ribeiro, afirmou que não existe nenhuma evidência científica que sustente o uso da hidroxicloroquina para tratamento da covid-19.
“É uma droga utilizada para outras doenças já há 70 anos, mas em relação ao tratamento da covid não existe nenhum ensaio clínico prospectivo e randomizado, feito por grupos de pesquisadores de respeito, publicados revistas de ponto, que aponte qualquer tipo de benefício do uso da hidroxicloroquina no tratamento”, declarou Ribeiro.

O presidente Jair Bolsonaro é um entusiasta da hidroxicloroquina e da cloroquina para o tratamento da doença. Ele já defendeu que as duas drogas sejam utilizadas inclusive no estágio inicial da enfermidade e sua defesa das medicações foi um dos pontos centrais do conflito com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que era contrário à ampla recomendação do remédio para o coronavírus.