Integrantes do MST diante do Palácio
do Planalto: plebiscito contra a Alca.

Brasília – As principais entidades sociais brasileiras, como a CNBB e o MST, querem do governo brasileiro o compromisso para realizar um plebiscito, que definiria se o País deve ou não se integrar à Alca, integração comercial defendida pelos Estados Unidos. As entidades que participam da Campanha Nacional contra a Alca entregaram ontem um abaixo-assinado ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e coordenador da Frente Parlamentar de Negociações sobre a Alca, Luiz Eduardo Greenhalgh, com 2 milhões de nomes pedindo um plebiscito oficial sobre a participação do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O mesmo documento foi entregue ao ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci.

Os participantes também se reuniram com o ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Correa. Em entrevista coletiva, um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, disse esperar que o governo Lula apóie a iniciativa e que o plebiscito seja realizado em 2004. “É o mínimo que um governo popular de um partido de esquerda pode fazer”, disse Rodrigues. Ele disse que o Brasil ainda está tímido nas negociações da Alca e tem condições de “sair mais da ofensiva”.

O presidente da Pastoral da Terra, D. Tomaz Balduíno, criticou a posição do governo em relação à Alca, dizendo que o presidente Lula já poderia ter rompido a negociação, a exemplo do que fez o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, com o FMI.